Os desdobramentos do caso Master fizeram o STF (Supremo Tribunal Federal) entrar na maior crise de sua história. Isso porque, na esteira das investigações sobre fraudes contábeis e financeiras bilionárias, tem sido revelada uma rede de influência que abrangeria deputados, senadores, servidores do Banco Central e membros da corte.

Nas conversas oriundas do telefone apreendido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e em documentos da investigação, ministros do Supremo figuram realizando negócios com o banco, recebendo mimos e viagens, debatendo casos de interesse de Vorcaro em reuniões privadas, além de terem seus familiares contratados pelo banco.

Os ministros Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, além do próprio André Mendonça e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparecem nessa ampla rede de influência.

A primeira reação do Supremo diante desses fatos foi tratar do assunto como uma impropriedade e fazer reuniões a portas fechadas, adotando medidas que confundiram preservação pessoal de ministros com defesa institucional do tribunal. A mudança da relatoria do caso, de Dias Toffoli para André Mendonça, foi uma tentativa de conter a crise com um acordo à margem do procedimento. Em vão.