A forma como o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça conduziu a investigação sobre o caso Master —resultando num documento de quase 200 páginas sobre o também integrante da corte Alexandre de Moraes— não foi adequada, na avaliação da maioria dos especialistas consultados pela Folha.

Relator do caso Master no STF, Mendonça determinou na semana passada que a Polícia Federal se debruçasse sobre um relatório de fevereiro envolvendo mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro pediu que os agentes identificassem com quem ele conversava nas mensagens interceptadas.

Segundo advogados ouvidos pela reportagem, o problema principal seria o de que, por envolver um ministro do Supremo, caberia ao plenário da corte a determinação de aprofundamento das investigações.

O contraponto a esta tese é de que a ordem de Mendonça serviu justamente para identificar quem era o interlocutor de Vorcaro que deveria ser alvo de uma apuração.

Pesa contra Mendonça, no entanto, o fato de o possível envolvimento de Moraes já ter sido noticiado há meses. Além disso, ele mesmo afirmou na decisão que a Polícia Federal deveria identificar inclusive pessoas com foro no STF.