O relatório de inteligência da Polícia Federal utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em seu contra-ataque ao colega André Mendonça tem o potencial de chamuscar os ministros Dias Toffoli, já enredado no caso do Banco Master, e Kassio Nunes Marques.
Relator original da investigação sobre as fraudes capitaneadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, Toffoli caiu em desgraça e deixou o posto em fevereiro deste ano. O ministro integra o quadro se sócios de uma empresa que fez negócios com um fundo gerido pela Reag, ligada ao Master. Após a queda de Toffoli, Mendonça foi sorteado para chefiar a investigação.
Ao solicitar a abertura de uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, Moraes se baseou em um documento apócrifo da PF que, a princípio, não tem valor probatório. Não é um relatório de investigação ou um laudo pericial, mas um instrumento voltado a mapear cenários e indícios preliminares. Via de regra, tem circulação interna.
Trata-se, em resumo, de uma “análise de cenário” a respeito de suspeitas de “possível avanço (de Mendonça) sobre competência do plenário e sobre prerrogativa de membro do Ministério Público”. Também sugere que a conduta do relator frente a colegas citados na investigação variou: postura ativa contra Moraes, contemporização sobre Toffoli e defesa aberta de Kassio Nunes Marques.










