A conversa sobre o livro "Elogio à Saudade" aglomerou centenas de pessoas na última edição da Feira do Livro, em São Paulo. Seu autor, o educador e filósofo Fernando José de Almeida, falava sobre o luto por sua filha, Lorena, que morreu em 2023, aos 43 anos.
No livro, em que escreve sobre esperança de futuro, ausência de certezas e de vacina contra a intensa dor de mundo que Lorena sentia, Fernando narra o processo de vivência com o luto, num manifesto pela vida apesar da perda trágica. "Sou outro. Acho que melhor. Sobrevivi", escreve.
A escrita salva muitas pessoas nos processos de luto. Seu livro é, além de um ato de salvação, a busca por nomear o indizível?
Não pensei nisso enquanto escrevia, nem fiz com esse objetivo, mas, quando damos nome ao sentimento, é como se nos apossássemos dele. É isso que Freud diz. A palavra é uma apropriação do objeto, não completa, mas importante, porque faz ter maior controle sobre ele. O sentimento do "não-nomeado" carrega todo o peso do obscuro trágico. O exercício da escrita ajuda a elaborar as ideias enquanto o luto vai acontecendo. Isso se dá desde os primeiros instantes, da cerimônia de velar o corpo, até os encontros que tenho ainda hoje com pessoas próximas a ela, e sempre que evocamos o nome da Lorena.









