Depois de publicar cerca de 20 livros técnicos, Fernando José de Almeida decidiu estrear na literatura aos 82 anos. A musa, como diz, foi sua filha Lorena, que morreu por suicídio em novembro de 2023. Em "Elogio à Saudade", o educador e filósofo narra sua vida com a filha e sem ela.

Almeida rejeita qualquer ideia de superação. "Não é um combate ao luto, mas um combate com o luto", diz. Manifestar essa dor se tornou sua nova forma de viver. Com o tempo, no entanto, tem aprendido a "não invadir a vida das pessoas com o luto".

"Eu entro no táxi e tenho vontade de contar para o motorista que minha filha morreu, mas isso gera um mal-estar."

"A morte e a vida não são excludentes, são necessariamente uma conversa, um diálogo entre a coragem de viver e a necessidade de morrer", afirma. Antes de escolher morrer, segundo ele, Lorena escolheu não morrer —e é essa vida que Almeida rememora em seu livro.

O autor retrata uma filha espirituosa, ativa e de presença marcante. Conta que, mesmo se estivesse chorando, a filha secava as lágrimas e saía de casa ao receber o convite de um amigo para dançar.