Em um artigo, certa feita, Aderbal Freire-Filho citou uma frase de Millôr Fernandes para falar sobre as críticas teatrais na imprensa brasileira. "Qual dói mais, a coluna vertebral ou a coluna do jornal?", concordavam os dois, ambos escritores, dramaturgos, tradutores.
Aderbal, morto aos 82 anos em agosto de 2023, tinha o que sua viúva, Marieta Severo, define como "um embate muito concreto" diante da atitude de alguns críticos, em especial a implacável Barbara Heliodora. "Não é que ele quisesse só aplausos. Ele queria um diálogo sem pressupostos, sem regras e leis. Essa era a fé absoluta dele, sua proposta de vida, era o que ele queria exercer", afirma a atriz.
Agora, essas reflexões estão reunidas em "Teatro Aberto: Escritos de um Diretor", lançado em abril pela editora Cobogó. Trata-se de um compilado de mais de três décadas de reflexões de Aderbal Freire-Filho sobre teatro, política e criação artística, organizadas em cinco capítulos por Patrick Pessoa, filósofo, dramaturgo e crítico carioca.
O projeto teve início a partir de uma carta encontrada por Marieta no antigo apartamento de Aderbal, no Rio de Janeiro. Escrita e assinada por ele, endereçada a ela, mas nunca enviada, a correspondência sobrou em um desvão. Na época, Aderbal dormia, inconsciente, depois de um AVC, na UTI montada especialmente pela mulher no apartamento dela.











