Meus filhos entravam no quarto e ficavam intrigados com tantas lágrimas por causa de um livro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 — Foto: Cris Bierrenbach Nas primeiras páginas de “Apneia” (Cosac), romance de Esther Faingold, chorei copiosamente. Meus filhos entravam no quarto para me pedir alguma coisa e ficavam intrigados com tantas lágrimas por causa de um livro. Eles não estão acostumados a chorar assim quando leem, e é natural que a gente parta da própria experiência para compreender as coisas. É sempre mais difícil entender o que a gente não viveu. Também por isso eu chorava tanto, porque as palavras de Faingold iam ao encontro da minha própria história. Às vezes por coincidências pequenas - como o nome da mãe dela, Helena, igual ao da minha, ou o seu próprio nome e as perguntas acerca dele, que me fizeram pensar nos motivos de ter escolhido Esther para a minha filha. Outras vezes, por questões mais profundas, como a angústia de pensar no legado que estamos deixando para nossos filhos e a culpa que advém desse pensamento. Ou ainda a obsessão pelo passado, mesmo, ou, sobretudo, quando ele é doloroso.

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