"Isso é quase um processo de análise! Tem algum divã por aqui?", brincou a escritora Carla Madeira entre risadas na conversa deste sábado (27) na Casa Folha, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.

Uma das escritoras de ficção mais lidas do Brasil nos últimos anos, ela publicou três romances desde 2014: "Tudo É Rio", "A Natureza da Mordida" e "Véspera", todos pela editora Record. Em agosto, lança o seu quarto livro, "Quando".

Madeira contou como escrever a cena mais violenta do best-seller "Tudo É Rio" a fez abandonar aquele texto por 14 anos. Explicou como a linguagem a ajudou a processar três lutos que enfrentou em sequência —a morte do psicanalista, da mãe e da sócia— que originaram "Quando".

E revelou, após uma pergunta da plateia, por que colocou uma edição de "Os Miseráveis", do francês Victor Hugo, nas mãos da personagem de "A Natureza da Mordida" que perde a memória para a demência.

Madeira contou que, quando a demência do pai se agravou, tinha muito medo de infantilizar um homem que era matemático e erudito. Ele também tinha uma edição em três volumes, em francês, do clássico de Hugo.