Escritora mais lida do País, Carla Madeira, de 61 anos, lançou, recentemente, Quando. Seus três romances anteriores – Tudo É Rio (2014), A Natureza da Mordida (2018) e Véspera (2021) – venderam mais de 1,4 milhão de cópias. Ao tocar em temas delicados, como violência doméstica, perdão e maternidade, a autora mineira tornou-se especialmente popular nos clubes de leitura espalhados pelo Brasil. Tudo É Rio será adaptado para o cinema, com direção de Júlia Rezende, e Véspera virou série da HBO Max, ainda inédita, com Gabriel Leone no papel dos gêmeos Caim e Abel. Quando é, provavelmente, seu livro mais maduro. Nele Madeira retrata a década de 1980 no País, a partir da figura de Veridiana, uma costureira que, na iminência da morte, aguarda o filho que saíra de casa há 20 anos, depois de ser preso – quem chamou a polícia foi a mãe. Nesta entrevista a CartaCapital, a autora fala sobre o novo romance e explica seu processo de escrita.

CartaCapital: Quando dá conta de muitas questões sociais brasileiras refletidas nas subjetividades das personagens. Como a senhora chegou ao enredo?Carla Madeira: Passei quatro anos fazendo esse livro. Ele começou de forma caótica, porque eu vinha de um ciclo de três romances seguidos e achava que era cedo para escrever outro. Mas, de repente, fui atravessada por três lutos e estava muito difícil lidar com o real. Usei a literatura como recurso para atravessar aquele momento. Não estava fazendo autoficção, não escrevia sobre a minha dor diretamente, mas encaminhava aquelas questões.