Carla Madeira passou por anos de perturbação. Enquanto escalava até o topo da lista de autoras mais lidas do Brasil, a mineira lidava com alguns de seus mais intensos lutos —por sua mãe, por seu psicanalista, pela amiga e parceira com a qual abriu sua agência de publicidade.
Desilusões assim podem levar à paralisia, ao silêncio, ao abismo. Na escritora de 61 anos, provocou um novo tipo de processo criativo, do qual ela decidiu não fugir. Foi voltando de uma visita dura a sua sócia Simone Moreira —que fazia quimioterapia para enfrentar o repentino câncer no pâncreas que a matou há três anos— que Madeira se lançou à escrita.
"Cheguei em casa no meio daquela loucura toda, abri o computador e comecei o que seriam as primeiras palavras do livro novo", conta a autora, em entrevista por vídeo de sua casa em Belo Horizonte. "E o processo foi assim, por muito tempo, muito caótico."
Essa pausa de mil compassos culmina agora na publicação de seu quarto romance, "Quando". "Todo corpo perturbado quer produzir sentido. O processo de encontro com a linguagem é um mecanismo de retomar uma certa regularidade, certo equilíbrio", diz.
"Quando" é o primeiro livro lançado por Madeira depois que ela chegou ao posto de ficcionista mais vendida da literatura brasileira, em 2023 —hoje, já fez circularem 1,4 milhão de exemplares de seus romances pela editora Record, sendo que 784 mil foram do arrasa-quarteirão "Tudo É Rio".






