O mundo acaba de assistir perplexo à invasão do enclave espanhol de Ceuta por milhares de marroquinos. É certo que houve incitação. Os responsáveis e seus interesses ainda não foram identificados. Na Europa e nos Estados Unidos, as reações foram de duras críticas ao governo progressista do espanhol Pedro Sánchez.
A invasão evoca a lembrança do romance distópico O Campo dos Santos, publicado em 1973 pelo francês Jean Raspail. O título do livro é uma referência a uma passagem do Apocalipse, da Bíblia. Depois dos mil anos, Satanás é solto da prisão, engana todas as nações da Terra e as lidera numa marcha e num cerco ao Campo dos Santos. Estes só serão salvos pela intervenção da devastadora fúria divina, que consome as hostes de Satanás com o fogo.
O livro de Raspail descreve uma invasão de centenas de milhares de indianos pobres que desembarcam no sul da França em busca de uma nova vida. A narrativa mostra que a fraqueza moral das elites e dos governos ocidentais, a tolerância e o senso de culpa ocidental levam a França a uma rendição total, resultando em um desmoronamento e uma subversão da cultura europeia-ocidental.
O Campo dos Santos seria uma antecipação da teoria conspiratória conhecida como a Grande Substituição. Inventada por Renaud Camus, a teoria diz que as populações brancas francesas e europeias seriam substituídas deliberadamente por não brancos provenientes, principalmente, de países de maioria muçulmana, por meio de migrações em massa e do seu crescimento demográfico.














