Com a expansão da União Europeia ao leste em 2004, abriu-se o caminho para uma integração maior, circulação livre de pessoas e bens e para a consolidação da promessa do projeto europeu —iniciado em 1951, após a Segunda Guerra Mundial, e formalizado em 1992.
As brutais imagens registradas na fronteira entre Marrocos e Ceuta, exclave espanhol no lado africano do estreito de Gibraltar, enfraquecem aquele sonho, que a cada dia torna-se mais quimérico.
Nada menos do que 72 mil pessoas se lançaram sobre cercas e pelo mar para tentar alcançar o território europeu, tendo aparentemente interpretado como um sinal verde a deliberação da Suprema Corte em Madri que vetou extradições imediatas.
Marrocos foi acusado de afrouxar os controles fronteiriços, e a oposição à direita na Espanha apontou o dedo às políticas liberais no setor do premiê socialista Pedro Sánchez —uma estrela do progressismo global.
Acuado, ele ordenou a expulsão dos migrantes. Debelou a crise, mas 75 pessoas morreram, a maioria afogada.











