Cerca de 72 mil imigrantes vindos do Marrocos entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, na semana passada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Migrantes que invadiram Ceuta retornando ao Marrocos — Foto: AP Photo/Bernat Armangue Os ministros do Interior da União Europeia (UE) pediram, nesta terça-feira (4), medidas mais rigorosas contra as redes de tráfico de imigrantes e políticas de repatriação mais firmes, depois que cerca de 72 mil imigrantes entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, na semana passada, causando alarme em todo o bloco. Os representantes dos países também pediram uma cooperação mais estreita com países fora do bloco para conter a imigração irregular e evitar que se repita o aumento repentino de imigrantes, que começou na quinta-feira (30), em uma das duas fronteiras terrestres do bloco com a África, ambas compartilhadas com Marrocos. Cerca de 75 imigrantes morreram ao tentar a travessia, muitos deles afogados e outros esmagados no caos. O comissário europeu Magnus Brunner afirmou, em coletiva de imprensa após uma reunião de emergência dos ministros da Justiça e Assuntos Internos da UE, que o fluxo havia sido alimentado por redes criminosas de contrabando e desinformação nas redes sociais. Ele se recusou a dizer se Marrocos tinha alguma responsabilidade, mas elogiou a cooperação de Rabat com as autoridades espanholas no que diz respeito aos retornos. “Há uma investigação em andamento sobre o assunto [o papel do Marrocos na invasão em massa] na Espanha. Portanto, eu... não posso, na verdade, comentar mais sobre isso, mas é claro que houve alguma desinformação por parte dos contrabandistas e traficantes de pessoas; isso é o que sabemos com certeza”, disse ele. O aumento repentino levou os ministros a discutir uma série de medidas, incluindo melhor compartilhamento de informações de inteligência, monitoramento mais rigoroso das redes sociais para detectar picos imigratórios com maior antecedência e proteção mais forte das fronteiras externas da UE. Alguns analistas questionaram se as autoridades marroquinas fecharam os olhos às travessias, lembrando ocasiões anteriores em que Rabat foi acusada de usar a imigração como alavanca política. O último grande aumento ocorreu em maio de 2021, quando as autoridades marroquinas pareceram flexibilizar os controles de fronteira, uma medida amplamente interpretada como retaliação pelo fato de a Espanha ter acolhido um líder independentista do Saara Ocidental. O território é disputado, com Marrocos reivindicando soberania sobre ele. Brunner também afirmou que a UE está negociando um acordo de parceria estratégica abrangente com Marrocos. A UE tem contado cada vez mais com acordos de imigração com países do norte da África para conter as chegadas irregulares, mas críticos afirmam que essa abordagem deixa o bloco vulnerável à pressão de países de trânsito que podem flexibilizar — ou ameaçar flexibilizar — os controles de fronteira em busca de concessões políticas ou econômicas. A imigração tem sido uma das questões políticas mais polêmicas da UE desde a crise de 2015-2016, quando mais de um milhão de refugiados e imigrantes, muitos fugindo da guerra na Síria, chegaram à Europa. O fluxo aumentou o apoio a partidos anti-imigração e de extrema-direita em todo o bloco e intensificou anos de disputas sobre controles de fronteira, regras de asilo e repartição de encargos. Marrocos afirmou no domingo que as recentes travessias em massa para Ceuta e outro enclave espanhol, Melilha, foram alimentadas por desinformação nas redes sociais, redes de tráfico de pessoas e interpretações equivocadas de uma decisão judicial espanhola. A maioria dos imigrantes que atravessou a barreira da fronteira não encontrou nem comida nem abrigo e, posteriormente, retornou ao Marrocos. No entanto, a Itália suspendeu por um mês o regime de livre circulação no espaço Schengen com a Espanha, embora esse regime não se aplique a Ceuta, enquanto 22 dos 27 Estados-membros da UE pediram uma ação coordenada para fortalecer as fronteiras externas do bloco.