Cerca de 60 mil migrantes entraram em Ceuta vindos do Marrocos, país vizinho, em apenas alguns dias, disse o presidente regional do enclave, Juan Jesús Vivas, a jornalistas. No entanto, na noite de sexta-feira, o Ministério do Interior da Espanha informou que mais de 48 mil já haviam retornado. Sob a vigilância de soldados e policiais espanhóis na manhã de sábado, os jovens migrantes restantes continuaram a cruzar a fronteira de volta para Marrocos, conforme constataram jornalistas da AFP. Qualquer pessoa que permanecesse por muito tempo na trilha costeira era imediatamente conduzida de volta para fora pelos soldados. Para entrar em Ceuta, muitos nadaram contornando uma pequena barreira fronteiriça que se projeta para o Mediterrâneo. Pelo menos 34 pessoas morreram na tentativa. — Esperamos ir para a Europa trabalhar e ganhar a vida. É só isso — disse Souleil Boyan, de 19 anos, um migrante senegalês, à AFP do lado de fora de um centro de migrantes em Ceuta, onde dezenas de outros migrantes da África subsaariana aguardavam por autoridades. — Todos sabemos que na África não há muitas oportunidades. A repentina chegada de migrantes provocou pânico político na Europa. Migrantes retornam a Marrocos — Foto: Abdel Majid BZIOUAT / AFP 'Adeus' A França reforçou os controles em sua fronteira com a Espanha e anunciou que quintuplicará sua presença policial, elevando o número de agentes para 334 policiais e gendarmes até sábado. A Itália suspendeu, a partir de sábado, por um período de um mês, o acordo de Schengen com a Espanha, que permitia a livre circulação entre as fronteiras. Diversos países europeus sugeriram que a adesão da Espanha ao espaço de livre circulação de Schengen fosse suspensa, embora o ministro das Relações Exteriores espanhol tenha afirmado que a integridade da zona estava "garantida". O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em carta aos chefes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, criticou duramente a reação "egoísta" de alguns países da UE e pediu uma reunião por videoconferência dos ministros do Interior do bloco. Madri já enviou tropas, policiais, drones, mergulhadores e barcos para o posto avançado no norte da África que administra há séculos. Durante a madrugada de sábado, jornalistas da AFP observaram grupos de jovens perambulando pelas praias e ruas de Ceuta. Dezenas de homens dormiam na areia. Na fronteira, alguns jovens foram vistos voltando, dizendo "adeus" aos oficiais antes de atravessarem de volta para Marrocos. Mais soldados faziam guarda na pequena praia ao lado da cerca da fronteira, posicionados sob guarda-sóis pela manhã. Bóias e nadadeiras ainda estavam espalhadas pelo chão ao longo da cerca, enquanto outras flutuavam na água, remanescentes da onda de pessoas que inicialmente nadaram além do posto de fronteira. Nas proximidades, um barco inflável com agentes de segurança patrulhava a densa neblina. O Ministério do Interior da Espanha informou que uma nova barreira pneumática de 500 metros (1.640 pés) de comprimento foi instalada perto do posto fronteiriço para reforçar a segurança. 'Um futuro melhor' Em Marrocos, Soufian, de 42 anos, disse à AFP que planejava atravessar a nado de sua cidade costeira de Martil, localizada a menos de 40 quilômetros (25 milhas) de Ceuta, quando um amigo lhe disse que a fronteira estava aberta: — Não demorou muito, apenas cinco minutos ou menos, talvez três, já que ficava bem na fronteira. Ele explicou que foi motivado pela possibilidade de visitar sua mãe, que está doente e mora em Madri. — Mesmo sem comida, sem absolutamente nada, eu suportarei qualquer coisa para ver minha mãe — disse Soufian, acrescentando que ganha apenas 10 euros (US$ 12) por dia trabalhando em turnos de 12 horas como segurança. Quanto aos outros que atravessaram, ele disse que "todo mundo quer ascender socialmente, quer um futuro melhor – algo que não existe em Marrocos". O que desencadeou o fluxo migratório permanece incerto. As autoridades marroquinas ainda não emitiram um comunicado oficial sobre o fluxo migratório. Ceuta, um território de 18,5 quilômetros quadrados (sete milhas quadradas), e o enclave vizinho de Melilla são as únicas duas fronteiras terrestres da Europa com a África. Ondas migratórias anteriores ocorreram durante períodos de tensão entre Espanha e Marrocos, incluindo em 2021, que levou mais de 10.000 migrantes a entrarem em Ceuta em apenas dois dias.
Milhares de migrantes deixam enclave espanhol no Norte da África enquanto a União Europeia reforça o controle de fronteira
48 mil pessoas que entraram em Ceuta já haviam saído até este sábado, disseram autoridades











