Centenas de pessoas cruzaram a fronteira nesta quinta-feira, somando-se aos cerca de 1,5 mil migrantes que chegaram nos últimos dias; governo promete acelerar devoluções e ampliar a presença da Guarda Civil no enclave 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Esta imagem capturada de um vídeo da AFP mostra migrantes chegando à costa de Ceuta — um enclave espanhol no norte da África — após nadarem ao redor da cerca fronteiriça entre o Marrocos e a Espanha, em 30 de julho de 2026 — Foto: LUCIA DIAZ / AFP O governo da Espanha anunciou, nesta quinta-feira, o envio de soldados das Forças Armadas para reforçar a segurança no enclave de Ceuta, no norte da África, após a entrada em massa de migrantes vindos do Marrocos. Centenas de pessoas cruzaram a fronteira ao longo do dia, juntando-se aos cerca de 1.500 migrantes que chegaram nos últimos dias, em uma crise classificada pelas autoridades locais como uma "emergência humanitária" que deixou vários mortos. "As Forças Armadas reforçarão a Guarda Civil no exercício de suas competências e de todas aquelas que possam ser necessárias para manter a segurança na cidade de Ceuta", informou o Ministério do Interior em comunicado. A pasta não especificou quantos militares serão enviados ao território de 18,5 quilômetros quadrados, mas afirmou que também reforçará a Guarda Civil com mais 70 agentes, que se somarão aos 80 já presentes no local. Além disso, serão enviados mergulhadores e embarcações da guarda costeira do Serviço Marítimo. Ceuta e o outro enclave espanhol no Marrocos, Melilla, são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Segundo imagens exibidas pela televisão pública espanhola, agentes da Guarda Civil limitavam-se a vigiar a entrada dos migrantes nas proximidades de um posto fronteiriço ao sul de Ceuta. Centenas de migrantes entram em Ceuta após cruzar fronteira com Marrocos Esta é a maior entrada de pessoas em Ceuta desde maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes chegaram ao enclave vindos do Marrocos em apenas dois dias. Muitos migrantes comemoraram a chegada e agradeceram à polícia espanhola, enquanto alguns gritavam: "Adeus, Marrocos, olá, Espanha!", relatou uma jornalista da AFP, que também observou boias e roupas abandonadas na praia por pessoas que haviam chegado a nado. Esta imagem capturada de um vídeo da AFP mostra migrantes nadando no mar para chegar à costa de Ceuta, um enclave espanhol no norte da África, em 30 de julho de 2026 — Foto: LUCIA DIAZ / AFP As autoridades espanholas recuperaram os corpos de nove migrantes que morreram ao tentar alcançar Ceuta pelo mar, informou a delegação do governo espanhol no enclave. Devoluções e visita de Sánchez O governo espanhol informou, por meio de um comunicado do Ministério do Interior, ter acertado com Rabat a adoção de medidas para devolver "o mais rápido possível" ao Marrocos "todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta". O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, viajará nesta sexta-feira ao enclave acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. "O Governo da Espanha está totalmente empenhado em dar uma resposta imediata à situação em Ceuta. Estamos mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais (...) para recuperar a normalidade o mais rápido possível", escreveu Sánchez na rede social X mais cedo. — Estamos diante de uma situação de absoluta emergência humanitária e social — alertou o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, à televisão pública espanhola TVE. Segundo Vivas, mais de 1.500 migrantes chegaram ao enclave por via marítima nos últimos dias, em um ritmo de cerca de 200 pessoas por dia, deixando os centros de acolhimento "colapsados e superlotados". Esta imagem capturada de um vídeo da AFP mostra migrantes nadando no mar para chegar à costa de Ceuta, um enclave espanhol no norte da África, em 30 de julho de 2026 — Foto: LUCIA DIAZ / AFP Centenas de pessoas, entre elas menores de idade, reuniram-se no início da tarde desta quinta na fronteira entre a cidade marroquina de Fnideq (Castillejos) e Ceuta para tentar cruzar irregularmente a fronteira, nadando ou tentando escalar a cerca fronteiriça, constatou um jornalista da AFP. Atrito diplomático A crise migratória também provocou atritos entre Madri e Roma. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta quinta-feira que defende a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, a área europeia de livre circulação, após a entrada em massa de migrantes em Ceuta. "Sou a favor da suspensão da Espanha do Espaço Schengen", escreveu o chanceler do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni na rede social X. A declaração provocou uma reação imediata do governo espanhol. O ministro das Relações Exteriores, José Luis Albares, classificou a posição italiana como "demagogia" e anunciou que convocará o embaixador da Itália em Madri nesta sexta-feira. "A mensagem do chanceler do governo de ultradireita italiano é imprópria para um país parceiro e amigo, do qual esperamos solidariedade europeia, e não demagogia partidária", escreveu Albares no X. Crise com o Marrocos O Ministério do Interior destacou "a colaboração exemplar da Espanha com o Marrocos em todos os âmbitos, inclusive na questão migratória", ao atribuir as entradas em massa às "redes de tráfico de pessoas". — A relação com o Marrocos é excelente e em nada é afetada pelas boas relações com a Argélia — afirmaram, por sua vez, fontes do Ministério das Relações Exteriores, desvinculando a situação atual da recente viagem de Sánchez à Argélia. A última grande crise ocorreu em maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes entraram em Ceuta após o Marrocos flexibilizar os controles fronteiriços em meio a uma disputa diplomática provocada pela acolhida, na Espanha, do líder da Frente Polisário para tratamento médico. A crise foi superada em 2022, quando Madri abandonou sua posição de neutralidade sobre o Saara Ocidental e passou a apoiar um plano de autonomia proposto por Rabat para a antiga colônia espanhola. Apesar da pressão sobre Ceuta, a principal rota de entrada de migrantes irregulares na Espanha continua sendo o arquipélago das Ilhas Canárias, em frente à costa africana. (Com AFP)
Espanha enviará soldados para reforçar a segurança em Ceuta após entrada em massa de migrantes do Marrocos
Centenas de pessoas cruzaram a fronteira nesta quinta-feira, somando-se aos cerca de 1,5 mil migrantes que chegaram nos últimos dias; governo promete acelerar devoluções e ampliar a presença da Guarda Civil no enclave










