Funcionário do governo marroquino comentou cenário com jornalistas na segunda-feira, sob condição de anonimato 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vídeos mostram invasão em massa de migrantes à cidade espanhola de Ceuta — Foto: Reprodução/X O Marrocos alertou a Espanha sobre os riscos migratórios decorrentes de uma recente decisão judicial da Suprema Corte espanhola, antes da crise que resultou na entrada de mais de 70 mil migrantes na cidade de Ceuta, afirmou um funcionário de alto escalão do governo marroquino ouvido pela AFP sob condição de anonimato. A manifestação ocorre em um momento em que as ações de Rabat são alvo de questionamentos por parte de Espanha, observadores internacionais e relatos de migrantes que cruzaram a fronteira, que apontam um suposto alívio por parte das autoridades marroquinas durante o ápice da crise. A autoridade afirmou a jornalistas na noite de segunda-feira que contatos com o lado espanhol foram feitos por volta dos dias "22 e 23 de julho", quando o governo marroquino teria detectado um grande volume de publicações nas redes sociais do país sobre a decisão judicial, que previa uma exceção à expulsão imediata de migrantes que chegassem à Espanha pelo mar. O governo do país africano já tinha afirmado que a desinformação on-line teve um papel central no fenômeno. — Explicamos que essa decisão iria criar um problema para nós. E criou um problema — afirmou a fonte marroquina. — Hoje, cabe à Espanha encontrar as respostas para os desafios impostos por essa decisão. A porta-voz do governo espanhol, Elma Saiz, rejeitou que o governo tivesse recebido qualquer indício do fluxo sem precedentes de pessoas, que rapidamente sobrecarregou o exclave espanhol e levou a uma operação de segurança para o retorno em massa de milhares de pessoas pela fronteira, com o governo espanhol afirmando nesta terça que 70 mil pessoas já tinham sido expulsas. — Em nenhum momento houve qualquer indício (...) que alertasse para essa magnitude, para esse fato inédito que vivenciamos — disse Saiz. Na sexta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse que uma interpretação mal intencionada da decisão judicial foi instrumentalizada por redes de tráfico humano, a fim de provocar uma corrida em direção à fronteira. Centenas de migrantes entram em Ceuta após cruzar fronteira com Marrocos Segurança Analistas e opositores do governo marroquino no cenário interno apontaram nos últimos dias para uma possível ação deliberada do governo de não impedir o fluxo migratório que se viu nos últimos dias. Um relatório da inteligência espanhola apresentou conclusões no mesmo sentido, alegando que não houve um emprego por parte das autoridades marroquinas de meios efetivos para controlar o fluxo migratório. A alegação também foi rejeitada pela autoridade marroquina. — É simplista dizer que o Marrocos deveria simplesmente ter usado a força para detê-los. Isso demonstra uma completa falta de compreensão desse fenômeno — disse o funcionário, afirmando que as forças de segurança não seriam capazes de lidar com um número tão grande de pessoas. — Gerenciar esse fenômeno não é responsabilidade exclusiva do Marrocos. A autoridade ainda acrescentou que o custo da gestão do fluxo migratório chega a aproximadamente 500 milhões de euros (cerca de R$ 2,9 bilhões) por ano para o país. Novo alerta Apesar da crise na fronteira e da tensão entre os países desde a semana passada, o funcionário marroquino avaliou que Rabat e Madri atuaram "como parceiros confiáveis" durante o ápice das tensões, e que continuam trabalhando "em perfeita coordenação" nas questões migratórias — que continuam sendo monitoradas. Em uma reportagem do jornal britânico The Sun, a empresa de tecnologia Golden Owl, com sede em Alicante, identificou uma possível mobilização on-line para um novo deslocamento em massa. Um monitoramento feito pela companhia indicou que mensagens estariam circulando para convocar uma nova leva de migrantes a tentarem alcançar Ceuta em 15 de agosto. A companhia afirma ter encontrado 25 grupos no Facebook associados à mobilização que antecedeu a crise da semana passada. Uma das comunidades reúne aproximadamente 108 mil integrantes e permanece ativa, informou a publicação. (Com AFP)