O governo do Marrocos demorou a se pronunciar sobre a recente entrada de dezenas de milhares de migrantes na cidade espanhola de Ceuta, exclave europeu no norte da África. Apenas no último domingo 2, o porta-voz do Ministério do Interior, Rachid El Khalfi, atribuiu o episódio ao “uso malicioso” das redes sociais, à disseminação de informações enganosas e a interpretações equivocadas de uma decisão da Suprema Corte da Espanha.
O Marrocos também reafirmou sua colaboração com a Espanha e sustentou que os acontecimentos não foram planejados pelo reino.
Na Espanha, porém, a atuação marroquina no caso é questionada, reflexo de uma crise migratória em Ceuta, em 2021, na qual o reino marroquino deliberadamente facilitou o avanço de imigrantes para o exclave espanhol devido a divergências com o país europeu sobre a antiga colônia do Saara Ocidental, ocupada há décadas pelo Marrocos.
Atualmente, as relações entre os países estão estáveis, mas novos atritos surgiram após o governo espanhol sugerir um projeto de lei que concede a nacionalidade espanhola aos saarauís nascidos quando o Saara Ocidental ainda estava sob tutela espanhola, antes de 1977.
A reaproximação entre Espanha e Argélia, que rejeita a reivindicação marroquina sobre o Saara Ocidental, também gerou novos atritos.











