As relações diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington atingiram o ponto mais crítico do governo de Donald Trump. Na terça-feira (4), o Departamento de Estado americano anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A decisão ocorre cerca de dez dias após o Itamaraty negar o visto a funcionários americanos que viriam ao país questionar as eleições. A Casa Branca afirma que a revogação será cancelada se o Brasil conceder aval para que o representante indicado pelos EUA, Daniel Perez, assuma suas funções como novo embaixador em Brasília —um procedimento conhecido como agrément.

A embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti - Wolfgang Kumm/AFP

Ainda não está claro quais serão as próximas implicações práticas da medida. A principal delas diz respeito à situação jurídica da diplomata e sua permanência no país. Até o momento, Washington afirmou que Viotti não será expulsa dos EUA, mas que ela "não possui um visto válido" —condição que, na prática, inviabiliza o exercício de suas funções diplomáticas. O governo americano, no entanto, não detalhou qual será o regime jurídico aplicado ao caso.

Caso Viotti deixe os Estados Unidos, terá de solicitar um novo visto para retornar ao país, esclareceu um porta-voz do governo americano no anúncio de terça. O representante da Casa Branca também disse que novas medidas não estão descartadas caso o governo Lula não aceita a indicação de Perez, insinuando que Viotti ainda pode ser forçada a sair.