0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bandeira do Brasil e dos Estados Unidos - 25/7/2024 — Foto: Dado Galdieri / Bloomberg A revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, representa um episódio sem precedentes nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Oficialmente, o argumento do governo americano para o ato é a demora do Brasil em conceder o aval ao indicado para a embaixada, Daniel Pérez. Para um ex-embaixador brasileiro, houve uma certa subversão da ordem prevista nas convenções internacionais sobre a troca de embaixadores. O indicado norte-americano sequer concluiu as etapas internas, já que ainda aguarda aprovação pelo Senado. Ele lembra que a administração Trump não precisa de um motivo específico para adotar esse tipo de medida e que o episódio apenas amplia uma relação bilateral que já vinha deteriorada. — As relações não estão nada boas. Uma provocação como essa apenas adia uma solução de melhor entendimento e cria mais um elemento de atrito. O esforço, nessas circunstâncias, é conter os danos para impedir uma escalada para além do plano diplomático. Para o conselheiro internacional do Cebri, Victor do Prado, e ex-diplomata, o principal problema hoje é a inexistência de canais de diálogo entre os dois governos. — Se a embaixadora Maria Luiza não tem canal com o Departamento de Estado e Mauro Vieira (ministro das Relações Exteriores) não tem um canal com Marco Rubio (secretário de Estado dos Estados Unidos), está tudo travado. A falta de canais de diálogo é o pior que pode haver. Ele afirma que o impasse é de difícil resolução, já que os Estados Unidos condicionaram a restituição do visto da embaixadora à concessão do agrément ao diplomata Daniel Pérez, enquanto o Brasil não irá conceder esse aval sob pressão. Uma das medidas que o governo brasileiro poderia tomar seria convocar Maria Luiza Ribeiro Viotti para consultas em Brasília, algo considerado grave nas relações diplomáticas, salienta Prado. No entanto, ele também pondera que essa iniciativa criaria um novo problema, já que, sem o visto americano, a diplomata não conseguiria retornar aos Estados Unidos. Além disso, retirar a embaixadora de Washington não resolveria a situação. Seria apenas adiar uma saída. Na opinião do coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos e professor de Relações Internacionais da ESPM, Roberto Uebel, a tendência é que o impasse permaneça ao menos até o encerramento do calendário eleitoral nos dois países. — Estamos a poucos meses das eleições no Brasil e das eleições legislativas nos Estados Unidos. Minha avaliação é que Washington aguardará o resultado das eleições brasileiras, enquanto o Brasil também observará o resultado das midterms para avaliar os próximos passos. Para Uebel, o episódio não pode ser analisado de forma isolada, mas como parte do processo de deterioração das relações bilaterais: — Houve uma falsa impressão de que a relação estava melhorando depois dos encontros entre Lula e Trump. Nos bastidores, porém, ela já vinha estremecida. Quem está dando as cartas é o secretário de Estado, Marco Rubio, que tem uma antipatia muito clara em relação ao governo brasileiro e a outros governos de esquerda da região.
Crise entre Brasil e EUA cria impasse diplomático de difícil solução, dizem especialistas
Crise entre Brasil e EUA cria impasse diplomático de difícil solução, dizem especialistas












