Segundo o Departamento de Estado, a decisão foi tomada em resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément - a aprovação final das indicações na diplomacia - ao indicado para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez. A medida ocorre dez dias após o Itamaraty negar vistos a dois enviados americanos ao Brasil. As relações entre Brasil e Estados Unidos já vinham atravessando uma trajetória de desgaste desde julho de 2025, quando Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e justificou a decisão citando o que chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora negociações tenham reduzido parte das tensões no fim daquele ano, e Lula e Trump tenham promovido encontros para tentar reaproximar os dois países, novos atritos surgiram ao longo de 2026, envolvendo segurança pública, comércio, eleições e diplomacia. 07/05/2026 - Lula e Trump se encontram na Casa Branca Em meio a esforços para reconstruir a relação bilateral, Lula foi recebido por Trump na Casa Branca em 7 de maio. A reunião durou cerca de três horas e foi classificada pelos dois presidentes como positiva. Após o encontro, Trump elogiou Lula, chamando-o de "muito dinâmico", enquanto o presidente brasileiro afirmou ter saído satisfeito das conversas. Na pauta estiveram a ampliação das relações econômicas, disputas comerciais, a exploração de terras raras, conflitos internacionais e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Lula afirmou ter proposto a criação de um grupo de trabalho bilateral para tratar de impasses comerciais. Temas que posteriormente gerariam atritos, como a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas e os questionamentos americanos ao PIX, ficaram fora da discussão. LEIA TAMBÉM 26/05/2026 - Flávio Bolsonaro se reúne com Trump O senador também discutiu temas relacionados à liberdade de expressão nas redes sociais e ao combate ao crime organizado. Segundo Flávio, Trump respondeu que analisaria a proposta sobre as facções brasileiras. O encontro foi interpretado por integrantes do governo Lula como um sinal de aproximação entre o bolsonarismo e a Casa Branca. 28/05/2026 - EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas O governo Lula tentou evitar a medida nos bastidores. A avaliação do Planalto era que a designação poderia abrir espaço para ações mais agressivas dos Estados Unidos no combate às facções. O governo brasileiro sustentava que PCC e CV devem ser tratados como organizações criminosas, e não terroristas, conforme a legislação nacional. 01/06/2026 - Trump indica Daniel Perez para a Embaixada dos EUA Filho de imigrantes cubanos e aliado do presidente americano, Perez precisaria ainda ser aprovado pelo Senado dos EUA. Sua indicação ocorreu num momento de crescente tensão política entre os dois governos. 30/06/2026 - EUA pedem aval formal para Daniel Perez O episódio expôs um desconforto diplomático. No governo brasileiro, houve incômodo porque o nome de Perez havia sido anunciado publicamente antes da consulta formal ao Brasil, algo que foge ao protocolo diplomático tradicional. 15/07/2026 - EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros Washington alegou que o Brasil adota práticas que restringem o comércio, citando o PIX, regras para plataformas digitais, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais. O governo Lula rejeitou as justificativas e considerou vários dos temas inegociáveis por estarem ligados à soberania nacional. 22/07/2026 - Tarifa entra em vigor A sobretaxa de 25% passou oficialmente a valer para cerca de 3 mil produtos brasileiros exportados aos EUA. Embora itens estratégicos para os americanos, como café, carne bovina, petróleo e aeronaves, tenham sido excluídos da medida, diversos setores industriais passaram a ser afetados. 25/07/2026 - Brasil nega vistos a diplomatas dos EUA A tensão escalou novamente quando o Itamaraty negou vistos a dois integrantes do Departamento de Estado americano: Riley Barnes e Samuel Samson. Segundo reportagem do Washington Post, ambos participariam de uma iniciativa para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes das eleições presidenciais de outubro. O governo brasileiro considerou a missão uma tentativa de interferência externa em assuntos internos. Ministros do STF classificaram a iniciativa como "escandalosa" e "inusitada". Os Estados Unidos negaram que a viagem tivesse esse objetivo e afirmaram que os encontros tratariam de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. 04/08/2026 - EUA revogam visto de diplomata brasileira Dez dias após a negativa dos vistos aos americanos, Washington anunciou a revogação do visto de Viotti. A Casa Branca vinculou a decisão tanto ao impasse envolvendo Daniel Perez quanto ao princípio de reciprocidade diplomática.
Brasil x EUA: a linha do tempo da crise que escalou em 2026 | G1
A revogação do visto de uma diplomata brasileira é o capítulo mais recente de uma sequência de atritos que envolveu tarifas comerciais, a classificação de facções como terroristas,











