Eleições 2026

A decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, não alterou a estratégia do Palácio do Planalto para a indicação do futuro (ou não) embaixador norte-americano em Brasília. Pelo contrário. Integrantes do governo afirmam que a possibilidade de acelerar a concessão do agrément ao indicado de Donald Trump, Daniel Perez, tornou-se praticamente inexistente, consolidando uma crise diplomática vista pelo governo como uma escalada de difícil reversão antes das eleições presidenciais.

A avaliação no governo Lula (PT) é que a relação bilateral deixou de ser marcada por episódios isolados e passou a seguir uma lógica de sucessivas respostas e contrarrespostas. Cada novo gesto amplia o desgaste e reduz o espaço para uma solução negociada no curto prazo. A expectativa predominante é de que a tensão continue crescendo ao longo da campanha eleitoral.

A revogação do visto de Viotti foi apresentada por Washington como resposta à demora brasileira em conceder o aval diplomático para Daniel Perez. Nos bastidores do governo, porém, a justificativa é considerada insuficiente para explicar a medida. O entendimento é que a resistência ao nome do republicano não nasceu do atraso em si, mas da forma como sua indicação foi conduzida.