Após o anúncio da revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, um porta-voz do Departamento de Estado chamou a ação de "recíproca" e disse que os Estados Unidos mantiveram contato contínuo com o governo brasileiro por semanas e deram a Brasília todas as oportunidades para fazer "a coisa certa".

O anúncio da sanção contra Viotti acontece cerca de dez dias depois de o Itamaraty negar o visto a funcionários americanos que viriam ao país questionar as eleições.

Em conversa com jornalistas, o porta-voz disse que a revogação será cancelada se o Brasil conceder aval para que o representante indicado pelos EUA, Daniel Perez, assuma suas funções como novo embaixador em Brasília —um procedimento conhecido no jargão diplomático como agrément.

Segundo o Departamento de Estado apesar das tentativas de Washington, Brasília continuou adiando e dificultando o processo. Dessa forma, a revogação do visto seria uma medida de reciprocidade.

A diplomata brasileira ainda não será expulsa dos EUA, contudo. Caso Viotti deixe os Estados Unidos, terá de solicitar um novo visto para retornar ao país, esclareceu o porta-voz —que, ao mesmo tempo, disse que novas medidas não estão descartadas caso o governo Lula não aceita a indicação de Perez, insinuando que Viotti ainda pode ser forçada a sair.