Segundo o Departamento de Estado, Maria Luiza Ribeiro Viotti terá direito a um novo visto quando for resolvido o imbróglio sobre a escolha do novo representante americano em Brasília 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A embaixadora Maria Luiza Viotti, que assumirá o comando da embaixada do Brasil em Washington — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Os Estados Unidos revogaram o visto da atual embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti, devido à ausência de concessão do agrément (aceitação diplomática) ao embaixador indicado pelos EUA para atuar em Brasília, informou nesta terça-feira um alto funcionário do Departamento de Estado a jornalistas. O caso marca mais um episódio na crise diplomática entre os dois países. A decisão, no entanto, não implica na expulsão da representante diplomática brasileira na capital americana. A embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, no entanto, poderá permanecer no país enquanto se aguarda a resolução do impasse diplomático, esclareceu o funcionário durante uma coletiva de imprensa por telefone. Segundo o Departamento de Estado, o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil dê o aval para que o republicano Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília. Parlamentar no estado da Flórida, ele foi indicado para o cargo pelo governo Trump em junho e, há duas semanas, teve o seu nome confirmado no cargo por uma comissão do Senado dos EUA. A indicação de Perez para comandar a embaixada americana ainda precisa passar pelo plenário da Casa. A falta de um aval para o nome de Perez por parte das autoridades brasileira teria a revogação do visto de Viotti. No governo americano, a expectativa era que a aprovação de Perez só ocorrerá após as eleições de outubro. Filho de imigrantes cubanos e presidente da Câmara dos Representantes da Flórida desde 2024, o republicano foi apontado por Trump para o cargo no início de junho deste ano. No final daquele mês, as autoridades americanas enviaram ao Brasil um pedido de "agrément", como é chamado o consentimento prévio concedido pelo país anfitrião para receber o representante diplomático de outra nação. O procedimento adotado pelos americanos inverteu o costume diplomático de primeiro solicitar o consentimento e posteriormente anunciar a indicação do nome do embaixador. Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil desde a posse de DonaldTrump, que deu início ao seu segundo mandato em janeiro do ano passado. A última diplomata americana a ocupar a função foi Elizabeth Bagley, alinhada ao governo do democrata Joe Biden. Desde que ela deixou a função, o principal representante americano no país era o encarregado de negócios Gabriel Escobar. A revogação acontece dias após as autoridades brasileiras decidirem cancelar os vistos de dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao Brasil. A justificativa oficial da visita era discutir liberdade de expressão no contexto das eleições, mas, segundo o jornal americano The Washington Post, os americano Riley M. Barne e Samuel D. Samson pretendiam questionar a integridade do processo eleitoral. Em abril, uma reportagem do The New York Times descreveu Samson, que ocupa o cargo de secretário-assistente adjunto do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, como nome de Trump para a "guerra cultural de Trump contra a Europa". No dia 27 de julho, o blog da Bela Megale revelou que o governo americano preparavam uma resposta ao Brasil após a negativa dos vistos. Entre as medidas que estariam sendo estudadas estavam sanções individuais contra autoridades brasileiras.