Nesta terça-feira, o governo americano afirmou que a revogação do visto da embaixadora brasileira não significa a expulsão da diplomata. Segundo os EUA, ela poderá permanecer no país, mas sem um visto válido. Os EUA disseram ainda que o documento poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático para a nomeação do embaixador indicado por Washington. Ao g1, um porta-voz do Departamento de Estado esclareceu que a embaixadora não foi declarada persona non grata, mas que precisará solicitar um novo visto americano caso deixe os EUA e queira retornar ao país. "O presidente Trump está formando uma equipe diplomática de alto nível alinhada à política 'America First' [EUA em primeiro lugar] em todo o governo, sujeita ao aconselhamento e à aprovação do Senado. Rejeitamos qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir em nossos processos internos." Maria Luiza Ribeiro Viotti, em imagem de 2011 — Foto: UN Photo/Eskinder Debebe Segundo o blog da Ana Flor, a indicação de Perez causou mal-estar no governo brasileiro porque o anúncio foi feito antes de uma consulta reservada às autoridades brasileiras. Tradicionalmente, a nomeação de um embaixador só é anunciada após o país anfitrião sinalizar que aceita a indicação.No caso de Perez, o pedido de aval foi feito ao governo brasileiro mais de duas semanas após o anúncio da indicação pela Casa Branca. O governo americano alega que as autoridades brasileiras sinalizaram que a autorização só deve ser dada após as eleições presidenciais de outubro. O Departamento de Estado disse ainda não descartar outras medidas. "Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas." LEIA TAMBÉM Indicação de embaixador Daniel Perez é filho de cubanos e tornou-se o impasse do mais novo impasse diplomático entre EUA e Brasil — Foto: Foto: Reprodução/Senado dos EUA Se aprovado, ele será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden. O posto está vago desde janeiro de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca. Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida ainda criança, em 1993. Atualmente, ele faz parte do Partido Republicano, o mesmo de Trump, e demonstra apoio às políticas do presidente. O indicado para a Embaixada dos EUA no Brasil estava no comando da Câmara da Flórida desde 2024. No ano passado, ele chegou a ser apontado como possível candidato ao cargo de procurador-geral do estado, mas resolveu permanecer na presidência da Casa. Escalada de tensões Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falam a jornalistas antes de reunião em Kuala Lumpur. — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se deteriorar em julho do ano passado, quando o presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos. Nos meses seguintes, negociações entre o governo brasileiro e a Casa Branca ajudaram a reduzir as tensões. No fim de 2025, os Estados Unidos aliviaram as tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras. Além disso, Lula e Trump se encontraram duas vezes. O presidente brasileiro visitou Washington em 7 de maio para se reunir com o líder americano, que chegou a elogiar o petista após os encontros. Semanas depois, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor uma taxa de 25% como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais pela falta de combate ao trabalho forçado. Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendiam interferir nas eleições.Segundo os EUA, a visita tinha como objetivo discutir "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil. O blog da Andreia Sadi revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos EUA | G1
Segundo governo, embaixadora poderá permanecer nos EUA, mas sem visto válido. Departamento de Estado atribui medida à demora do Brasil em autorizar novo embaixador em Brasília.













