Governo acha que Trump e Milei fazem dobradinha para tumultuar eleições e ajudar FlávioPara auxiliares de Lula, estratégia combinada inclui reforço do gabinete do ódio nas redes sociais para lançar dúvidas sobre urnas eletrônicas. O governo dos EUA anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi apresentada pelo Departamento de Estado como uma resposta recíproca às ações do governo brasileiro, em retaliação à suposta demora do Brasil em conceder a aprovação a Daniel Perez, indicado pelo governo Trump para chefiar a embaixada americana em Brasília. A decisão do governo dos EUA pode ser o início de uma escalada no momento atribulado das relações entre os dois países. Pode também ser apenas uma troca já precificada de medidas. Além da suposta demora da aprovação do embaixador designado pelo governo dos EUA, o governo brasileiro, no mês passado, negou vistos para dois diplomatas dos EUA que pretendiam visitar o Brasil antes das eleições. Segundo o governo brasileiro, eles buscavam causar cizânia sobre o processo eleitoral brasileiro. Esses são apenas alguns capítulos na recente ofensiva de Washington contra o Brasil, que inclui tarifas, acusações políticas e processos comerciais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma reunião na Casa Branca, em Washington Foto: Alex Brandon/APPUBLICIDADEComo já mencionamos antes aqui no nosso espaço, o governo Trump possui uma visão bastante particular e ideológica sobre suas relações com a América Latina. Uma relação de tutela e que seria necessário o uso de todas as ferramentas possíveis, justas ou não, para afastar a presença chinesa na região, vista como mera zona de influência dos EUA. Um quinta de Washington, basicamente, como indicado pela “Doutrina Donroe”, termo que une a histórica Doutrina Monroe com um D de ego de Donald Trump. Se a relação entre Brasil e EUA está ruim hoje, a maior parcela de responsabilidade por isso está em Washington. Ao mesmo tempo, esse estado de coisas é conveniente do ponto de vista eleitoral para o governo brasileiro. O grande exemplo para o governo brasileiro é o Canadá, onde o Partido Conservador era o grande favorito para vencer as eleições. Isso até a ofensiva gratuita e virulenta de Trump contra o vizinho, falando até da anexação do Canadá. A opinião pública enxergou a direita local como cúmplice de Trump. A consequência foi uma expressiva vitória do Partido Liberal, de centro-esquerda. Coloque-se a família Bolsonaro e Tarcísio de Freitas usando bonés de Trump, o tarifaço e os embates diplomáticos e você tem equação similar. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo Foto: Daniel Teixeira/EstadãoÉ importante destacar também alguns fatos. A Convenção de Viena não estabelece prazos para a aprovação de um nomeado ao cargo de embaixador. Hoje, mais da metade das embaixadas dos EUA estão vagas, já que Trump dispensou uma série de nomeados por Joe Biden sem ter novos nomes à disposição, e prioriza aliados políticos subservientes no lugar de diplomatas profissionais. Além disso, os EUA costumam, em média, demorar mais tempo para aprovar um embaixador nomeado do que o período que Daniel Perez é avaliado e aguarda sua aprovação. Outro fato é que Maria Luiza Ribeiro Viotti teve seu visto revogado, mas mantém sua acreditação. Ou seja, ela ainda é embaixadora. PublicidadeSaiba mais Governo Lula vê pressão política e chantagem em revogação de visto de embaixadora por TrumpObjetivo de Trump é constranger o Brasil com revogação do visto de embaixadora, dizem especialistasGoverno Lula acusa EUA de interferência eleitoral e repudia cancelamento de visto de embaixadoraRestam duas possibilidades. A primeira é que foi a salva inicial dos EUA em uma mais vasta e mais ampla ofensiva diplomática contra o Brasil, faltando dois meses para as eleições nacionais brasileiras. O próximo passo poderia ser, por exemplo, mirando em um consulado brasileiro em uma cidade democrata, como Los Angeles ou Nova Iorque. A outra opção é que fique por isso mesmo, com tudo já precificado. Os EUA retaliam a suposta demora do Brasil em aprovar seu embaixador, a embaixadora continua com sua acreditação e o Brasil aguarda mais dois meses de período eleitoral, com a embaixada dos EUA em Brasília vaga. E, como se diz em Brasília, depois das eleições a gente vê.
Opinião | Revogação de visto de embaixadora é primeiro passo de escalada maior de Trump? Entenda
Se a relação entre Brasil e EUA está ruim hoje, a maior parcela de responsabilidade por isso está em Washington













