Deputada, potencial candidata à Presidência da Argentina e uma das principais vozes na oposição ao presidente Javier Milei, Myriam Bregman afirmou em entrevista a CartaCapital que vencer eleições não é o suficiente para barrar o avanço da direita e da extrema-direita na América Latina. É preciso, enfatizou, apresentar programas capazes de reverter a “herança” deixada por governos como o de Jair Bolsonaro (PL) e mudar profundamente as condições de vida da população.

A extrema-direita latino-americana resulta do enfraquecimento e da consequente radicalização da direita tradicional, prosseguiu. Do outro lado, segundo Bregman, há governos que não conseguiram debelar decisivamente a desigualdade social, a precarização do trabalho e a falta de acesso a aposentadorias, por exemplo.

Para a deputada, essa conjuntura produz movimentos cíclicos: governos de extrema-direita dão lugar a gestões reformistas de centro-esquerda que não encantam as massas e estes, por fim, são sucedidos novamente pela direita.

Na contramão de grande parte da esquerda e da centro-esquerda, a dirigente do Partido dos Trabalhadores Socialistas diz que amplos acordos para vencer uma eleição não permitem, mesmo com o triunfo nas urnas, avançar contra o que chama de “verdadeiras fontes de poder da direita”. Como exemplo, citou a reforma trabalhista aprovada no Brasil sob Michel Temer (MDB).