Presidente da Argentina precisou recuar sobre propriedade estrangeira de terras após reação popular 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Javier Milei, presidente da Argentina, discursa durante a sessão de abertura do Congresso Nacional em Buenos Aires, Argentina, no domingo, 1º de março de 2026. — Foto: Anita Pouchard Serra/Bloomberg O governo de Javier Milei foi obrigado a abandonar mais uma parte da lei de propriedade privada de terras para buscar a aprovação no Senado, em novo sinal das dificuldades do presidente argentino para atrair investimentos ao país, reporta a Bloomberg. O projeto de lei foi aprovado no Senado por 37 a 33 votos na manhã desta sexta-feira após um prolongado debate, mas não antes de o partido de Milei ter retirado uma seção importante que flexibilizava restrições relacionadas ao uso da terra após incêndios, intencionais ou não. O governo já havia recuado na quarta-feira quando retirou uma peça central do projeto, que flexibilizava restrições sobre propriedade estrangeira. A lei despertou reação popular, com protestos do lado de fora do Congresso até a noite de ontem, contidos pelas forças de segurança com uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Artistas e outras figuras públicas se juntaram a políticos de esquerda e sindicatos nas críticas ao projeto do governo, no que seria uma tentativa de Milei “entregar” as terras da Argentina, em mais um revés para a sua popularidade. A desaprovação do presidente chegava a 62% da população em julho, 4 pontos percentuais acima de junho, de acordo com a LatamPulse, conduzida por AtlasIntel e Bloomberg. A proposta original de Milei, apresentada em março, previa a eliminação de limites à propriedade estrangeira de terras no país, restringida hoje a uma participação máxima de 15%, nos níveis nacional, regional e local. Uma versão introduzida nesta semana permitiria um limite elevado a 25% antes de a seção ser inteiramente abandonada em resposta à reação popular contrária. O que sobrou do projeto aprovado facilita despejos e favorece a recuperação de propriedade, após um intervencionismo de décadas de políticas de Estado que afetaram os preços no setor. O projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, para nova votação.