A pressão política e social levou os aliados do presidente Javier Milei a recuarem da tentativa de aprovar uma proposta que, em sua versão original, escancarava o caminho para estrangeiros comprarem terras na Argentina — sem limites. A decisão ocorreu em reunião comandada pela senadora Patricia Bullrich, líder do partido do governo na Casa Alta.

Em dezembro de 2011, a então presidenta Cristina Kirchner sancionou uma lei cujo objetivo central era restringir a compra de terras rurais por estrangeiros. A legislação fixou um teto de 15% para a soma de terras rurais em posse de titulares de outros países — no âmbito nacional, em cada província e em cada cidade.

A tentativa original de modificação, apresentada pelo ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger, não previa qualquer trava para essas compras. Na ânsia de manter a ideia em pauta, os governistas defenderam na terça-feira 4 elevar o teto de 15% para 25%. Em vão.

A alteração na Lei de Terras Rurais constava de um dos capítulos de uma projeto mais amplo, apelidado pelo governo de Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada, voltado também a acelerar despejos, dificultar expropriações e afrouxar proteções em áreas atingidas por incêndios florestais.