0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Milei durante cúpula do Mercosul — Foto: Luis Robayo/AFP O Palácio do Planalto avalia que os ataques do presidente argentino Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva são uma tentativa de o mandatário vizinho se colocar como líder da extrema direita na América Latina, reforçando uma "onda azul" na região, em uma linha auxiliar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa é uma das razões que levou Lula a não responder diretamente nenhuma das investidas de Milei contra ele. A estratégia busca não reconhecer Milei como líder para que a tática do presidente argentino não se complete. A expectativa, no entanto, é que o chefe de Estado argentino insista nas agressões a Lula como forma de se colocar como voz contrária a líderes progressistas e mantenha as falas durante o período eleitoral brasileiro. Na semana passada, ao ser questionado como via o episódio da vinda de Milei ao Brasil para convenção do PL, Lula ironizou: — Eu? Quem é esse cara? O entorno de Lula também vê os movimentos de Milei com foco em sua própria candidatura à reeleição. Esses interlocutores afirmam que uma eventual vitória de Lula em outubro poderia animar setores progressistas da Argentina e criar obstáculos a Milei, que enfrenta desgaste político, com queda da popularidade. Na convenção do PL que formalizou a candidatura de Flavio Bolsonaro à Presidência, em 25 de julho, em São Paulo, Milei chamou Lula de "presidiário". Dias depois, durante entrevista à emissora local LN+, Milei retomou os ataques contra Lula e chamou o petista de "ladrão" e "corrupto". Na mesma entrevista, o argentino também defendeu o tom das declarações dadas durante a convenção. — O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar. Na última terça-feira, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina. Com a decisão, o embaixador brasileiro Julio Bitelli não voltará para Buenos Aires. A representação diplomática do Brasil no país passará a ser comandada por um encarregado de negócios. Com isso, o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, perde, na prática, suas funções como representante argentino em território brasileiro. A partir de agora, o governo Lula vai reconhecer apenas o encarregado de negócios como representante oficial da Argentina. De acordo com auxiliares de Lula, Raimondi não será declarado persona non grata nem foi dado prazo a ele para deixar o Brasil. A expectativa, no entanto, é que ele retorne a Buenos Aires. Em entrevista a uma TV argentina, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira afirmou que Milei "agrediu de forma grosseira o governo brasileiro como um todo". — Foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente argentino, de uma forma muito grosseira, direta, agressiva, nunca vista, criticou o Brasil, as instituições e a pessoa do presidente Lula. Enquanto não houver explicações satisfatórias, vamos manter nosso embaixador no Brasil e a embaixada na Argentina será dirigida por um encarregado de negócios — disse. Ele afirmou que o presidente Lula não se interessa pela questão partidária na relação com outros países, mas que o diálogo precisa ser "correto e de alto nível". — As relações do Brasil são mantidas com base em critérios, em padrões de respeito às posições e de procura pelo interesse nacional pelos dois lados. A educação e o respeito são fundamentais, sem isso não pode haver diálogo. A questão ideológica é totalmente secundária — observou o ministro.