A decisão ocorre após uma sequência de declarações de Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades brasileiras, que provocaram reações do governo e ampliaram a crise diplomática. A seguir, relembre os principais episódios da escalada da tensão entre Brasil e Argentina. Milei chama Lula de 'presidiário' Javier Milei discursa em SP durante a convenção que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro — Foto: Reuters/Jean Carniel Na convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, Milei fez ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Milei também disse que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar o candidato Sergio Massa, que foi derrotado. "Eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros? Eu quis ver o meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram. Aqui, no entanto, o ex-presidiário (Lula) veio cumprimentar a ré (ex-presidente Cristina Kirchner)", disse. Milei chama Lula de 'ladrão' e 'corrupto' Veja o trecho da entrevista em que Milei faz ataques a Lula Em entrevista à emissora argentina LN+, no domingo (2), Milei voltou a subir o tom. Ao comentar a reação do governo brasileiro, Milei afirmou que não considera as declarações agressivas. "Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", disse. Ele também afirmou que as ofensas foram "palavras espontâneas". Reação do Brasil Os presidentes Javier Milei e Lula — Foto: REUTERS Em nota, o governo classificou o episódio como "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira disse considerar o caso grave, mas descartou, naquele momento, medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos. Além disso, inicialmente, o presidente Lula evitou alimentar a polêmica. Ao ser questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu: "Quem é esse cara?". Dias depois, no entanto, ele endureceu o discurso e classificou como uma "patacoada" a participação do argentino no evento do PL. Durante um ato do PSB, Lula afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira. "Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. (...) Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa." VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1