Por Helena Corezomaé/OPAN
Decisão da Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Diamantino (MT) traz um sopro de reparação e esperança ao povo Kajkwakratxi-Tapayuna. Em sentença proferida pelo juiz federal Pablo Kipper Aguilar, a Justiça Federal acolheu os pedidos formulados pelo Ministério Público Federal (MPF) e reiterados e pela Defensoria Pública da União (DPU), declarando o atraso do Estado brasileiro e condenando a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a demarcarem, no prazo de 24 meses, o território tradicional do povo Kajkwakratxi-Tapayuna.
Yaiku Suya Tapayuna, liderança do povo Kajkwakratxi-Tapayuna, relembra a trajetória que culminou neste momento de justiça. “É histórica, é uma trajetória muito difícil, que a gente acompanha, eu acompanho desde o início, desde que levantei esses processos. É uma decisão que a gente sonhava, e agora estamos na comemoração dessa vitória. A gente soltou a semente e hoje a gente vê esse fruto, com a nossa luta, com essa união entre as mulheres, jovens e os anciões”.
Os registros históricos e os relatos etnográficos confirmam que o povo Kajkwakratxi-Tapayuna ocupava tradicionalmente a região noroeste de Mato Grosso, estabelecendo-se especialmente entre os rios Arinos e do Sangue desde o século XIX. Relatos dos próprios indígenas descrevem uma era em que viviam em paz, com festas tradicionais e uma cultura autônoma.












