Um vídeo que circula nas redes sociais não é uma ficção distópica nem um filme de terror: é a crueldade de um exílio que se repete.

As imagens mostram um jovem indígena mbya guarani sendo torturado nas cercanias de Amambaí (MS). Seguranças privados o violentam com a frieza de quem não teme ser visto. Eles não escondem o rosto. Vestem roupas táticas. Encurralam a vítima e a destroem com choques elétricos, chutes e golpes de cassetete. Este não é um caso isolado. Nem em Mato Grosso do Sul nem em outro lugar deste país tão vasto quanto cego.

Vivendo em barracos de lona, expulsos da terra, os guarani kaiowá têm a dignidade humana rasgada a cada instante: violações de todo tipo, enquanto lutam pela posse de suas terras ancestrais. Lutam pelo direito à memória, porque os colonizadores atuais ousam dizer que eles nunca estiveram ali. Em nome da sagrada propriedade privada, da "segurança jurídica", cometem também um genocídio cultural.

Arrancados à força de seus tekohas (aldeias), resistem em reservas minúsculas e superlotadas, ou em acampamentos de beira de estrada. Seu modo de vida, que não se curva ao capital agroexportador, é uma ameaça ao sistema. Talvez por isso são alvo de crimes sucessivos, massivos e silenciados.