Na semana passada, a prisão de uma empresária em São Paulo chocou pela crueldade dos crimes descobertos: ela matava animais sob tortura para filmar e vender os vídeos pela internet. A morte era lenta e cruel, esmagados no bolso de uma calça apertada, ou pisoteados com sapatos de salto alto. Em alguns dos vídeos, os sapatos eram o único item que ela vestia. Ao que tudo indica, os atos de zoosadismo faziam parte da produção de conteúdo pornográfico extremo.

A denúncia foi feita por uma ONG búlgara, a partir de redes transnacionais onde esse tipo de conteúdo é vendido em dólar, por meio de plataformas como o Discord.

Esse tipo de crime, cometido com o propósito de ser filmado e compartilhado na internet, é hoje mais comum do que imaginamos, e abarca todo tipo de violência. No mês passado, uma menina de doze anos sofreu violência sexual coletiva por vários adolescentes; o crime foi filmado e compartilhado em mídias digitais. O mercado negro de conteúdos de abuso sexual infantil explodiu com a plataformização da internet, que permitiu que conteúdos extremos antes restritos à deep ou dark web sejam disponibilizados nos celulares das pessoas, inclusive menores de idade.

O próprio Discord abriga redes em que adolescentes são persuadidos ou forçados, sob chantagem, a cometerem violências contra si mesmos, seus irmãos mais novos e animais de estimação, transmitidas ao vivo em servidores fechados, às vezes com cobrança por acesso. Esses e outros crimes cometidos para serem filmados e compartilhados online têm algo em comum: costumam ser perpetrados contra sujeitos os mais vulneráveis. Animais (especialmente filhotes), crianças, pré-adolescentes, pessoas com deficiência, em sofrimento mental ou em situação de rua…