A combinação de indigência econômica, falta de infraestrutura sanitária básica e invisibilidade diante dos mecanismos de assistência social está levando à extinção aquele que já foi um dos maiores povos indígenas a habitar o território de Minas Gerais. Presentes na região há cerca de 12 mil anos, segundo o arqueólogo André Prous, os Maxakali – ou Tikmu-un, como se autodenominam – chegaram a reunir dezenas de milhares de indivíduos, distribuídos pela Mata Atlântica, incluindo áreas da Bahia e do Espírito Santo. Hoje, sua população está reduzida a cerca de 2,5 mil habitantes, que vivem, ou sobrevivem, em cinco aldeias (Água Boa, Pradinho, Aldeia Verde, Escola Floresta e Cachoeirinha), situadas no nordeste mineiro e distribuí­das entre os municípios de Teófilo Otoni, Bertópolis, Ladainha e Santa Helena de Minas, no Vale do Mucuri.

Após séculos de abandono por parte dos poderes constituídos pelo homem branco e de sucessivas pressões sobre seu território, os Maxakali enfrentam hoje uma crise humanitária classificada pelo Ministério Público Federal como um “Estado de Coisas Inconstitucional”. Em ação civil pública, a Procuradoria pede que a União, por intermédio da Funai, o governo de Minas Gerais e os quatro municípios promovam “uma profunda reformulação na assistência prestada ao povo Maxakali”. Diante de um cenário de violações generalizadas de direitos fundamentais, a situação dos indígenas “exige uma ampla intervenção coordenada” e a “reorganização de instituições ou políticas públicas para a resolução, de forma dialógica e prospectiva, de problemas complexos”.