Das encostas dos Andes ao Alto Juruá, no Acre, se estende o território do povo ashaninka. Suas comunidades mantêm relações de parentesco e circulação que atravessam a fronteira. Hoje, mais de 100 mil ashaninkas vivem no Peru e cerca de 1.500 no Brasil.

No início de julho, lideranças ashaninka denunciaram que cinco homens encapuzados, falantes de espanhol e armados com metralhadoras entraram na aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, na fronteira com o Peru. Procuravam as principais lideranças do povo e ameaçaram moradores.

À agência Associated Press Francisco Piyãko disse que os invasores pretendiam matar as lideranças indígenas. Ao jornal britânico The Guardian os indígenas afirmaram que as comunidades têm sido reféns na expansão do crime na região.

Organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, ao garimpo e à exploração ilegal de madeira têm se espalhado pela floresta amazônica, abrigada por oito países soberanos e pela Guiana Francesa, território ultramarino francês, cada qual com sua legislação e política de segurança.

Para facilitar a coordenação regional, o Tratado de Cooperação Amazônica foi assinado em 1978. Duas décadas depois, foi institucionalizada a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, a OTCA, formada por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A organização tem sido cada vez mais relevante, diante do avanço do desmatamento, dos incêndios e das economias ilícitas. Mas, apesar dos avanços, as estruturas de cooperação em segurança permanecem fragmentadas, enquanto as redes criminosas atravessam as fronteiras com mais facilidade.