Uma delegação de quatro lideranças do povo Ashaninka desembarcou em Brasília nesta quinta-feira para cumprir uma intensa agenda de reuniões de emergência com o governo federal, exigindo uma resposta coordenada e binacional contra o avanço fulminante do crime organizado transnacional na fronteira entre o Brasil e o Peru. A ofensiva ocorre após um grave atentado registrado em 6 de julho de, quando homens fortemente armados invadiram a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, procurando lideranças tradicionais e espalhando o terror entre os moradores da aldeia. O episódio que desencadeou a ida das lideranças à capital federal não foi um conflito pontual. No dia 6 de julho, a tranquilidade da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia foi severamente rompida por criminosos armados que buscavam intimidar os defensores ambientais do povo Ashaninka. Os indígenas contaram cinco criminosos que falavam em idioma espanhol, todos de capuzes no rosto e fuzis nas mãos. A gravidade das ameaças levou à deflagração emergencial da Operação Ashaninka, mobilizando tropas do Comando de Fronteira Juruá/61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS) do Exército Brasileiro, em alinhamento com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) e o Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron). O GLOBO fez uma expedição em março de 2023 a aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, e pôde comprovar o sucesso em unir preservação e sustentabilidade no território. No entanto, a reportagem já tinha ouvido relatos das lideranças sobre as constantes investidas e ameaças de traficantes, seja para construir estradas clandestinas, ou recrutar indígenas para trabalhar no cultivo da coca do lado peruano. Embora a presença militar e policial no território após a invasão ocorrida no último dia 6 de julho tenha trazido um alívio momentâneo, as lideranças indígenas alertam que intervenções pontuais de segurança pública são insuficientes para conter uma engrenagem criminosa profunda e estruturada. AO GLOBO, Francisco Piyãko, coordenador-geral da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), que está em Brasília com as demais lideranças , está preocupado com as invasões recentes e que a comunidade vive agora uma "tensão de guerra". União de saberes da Floresta: encontro inédito entre os povos ashaninka e kayapó na Amazônia 1 de 55 Indígenas ashaninka posam com seus parentes kayapós aos pés de uma sumaúma, árvore sagrada da foresta — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 2 de 55 Pela primeira vez uma comitiva do povo kayapó viajou para uma terra indígena no extremo oeste do Acre — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 55 fotos 3 de 55 Lideranças ashaninka e kayapó durante viagem de barco no caudaloso rio Amônia, que segue até a fronteira com o Peru - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 4 de 55 A recepção dos asheninka aos kayapó contou com lideranças femininas da Aldeia Apiwtxa, na Terra Indíngena Kampa do Rio Amônia — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 5 de 55 O líder indígena da Aldeia Apiwtxa, Francisco Pyãko, acompanha os kayapó para conhecer a sua morada durante o intercâmbio inédito de troca de saberes da floresta — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 6 de 55 Mulheres ashaninkas da aldeia Apiwtxa durante cerimônia da caiçuma (bebida fermentada a partir da mandioca) — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 7 de 55 Mães ashaninkas levam seus filhos para vacinação contra a gripe — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 8 de 55 Cerca de 1,3 mil indígenas da etnia ashaninka habitam a Aldeia Apiwtxa, a maior do estado do Acre — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 9 de 55 O líder ashaninka Francisco Pyãko foi o anfitrião da cerimônia de recepção aos kayapó, na ausência de seu pai, cacique Antonio Pyãko — Foto: Domingos Peixot / Agência O Globo 10 de 55 Observado por crianças ashaninkas, o cacique Bepunu Kayapó, da aldeia Môikàràkô - Foto: Domingos Peixot / Agência O Globo X de 55 Publicidade 11 de 55 Líder espiritual ashaninka, Moisés Pyãko trabalha na formação de jovens no contexto da espiritualidade local — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 12 de 55 Cipó usado pelos ashaninkas na elaboração da kamarãpi (hayahuasca) usada em cerimônia de concentração, limpeza e cura. — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 13 de 55 Uma das lideranças ashaninka, Enison Pyãko apresenta ao cacique txucarramãe Bedjaj e folha da chacrona, usada na elaboração da bebida sagrada kamarãpi - — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 14 de 55 Além do kamarãpi, os ashaninka mascam a folha de coca com pedaços de cipó (txamayro) e um pó de pedra (ishiko, no detalhe da foto) para a cerimônia do Piyarētsi — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 15 de 55 O líder ahasninka Enison Pyãko em frente a um pé de coca (koka), onde conta a lenda da planta e explica como deve se relacionar com esta "pessoa" que não pode ser jamais maltratada. "Coisas muito ruins podem acontecer" — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 16 de 55 Lideranças kayapó esbanjaram cores e alegria durante a viagem até a árvore da samaúma, dentro da floresta intocada da terra indígena ashaninka — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 17 de 55 Wewito Pyãko, presidente da Associação Apiwtxa (que significa "união" na língua Arwak) durante encontro inédito com os kayapó para troca de experiências e saberes - — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 18 de 55 Fora da Aldeia Apiwtxa, a casa do líder político e espiritual Benki Pyãko é uma atração à parte do outro lado do rio Juruá, no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 19 de 55 Valdeci Pyãko também é uma das lideranças ashaninkas responsáveis pelo roçado de frutas e extensa diversidade de legumes e mostra as plantações enquanto anda entre pés de mandioca acompanhado da liderança kayapó Nhãkraxti — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 20 de 55 Uma indígena ashankinka carrega seu bebê na tipoia enquanto leva nas mãos livres mandioca para casa , na Aldeia Apiwtxa - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 21 de 55 A Aldeia Apiwtxa possui uma imensa quantidade de árvofres frutíferas espalhadas por toda a sua extensão. No detalhe, cupuaçu usado para sucos e polpa, enquanto suas sementes são beneficiadas para se fazer chocolate - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 22 de 55 Tigela onde é servida a refrescante e nutritiva caíçuma , bebida fermentada e inebriante que socializa os ashaninkas durante as reuniões de amigos e familiares - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 23 de 55 O produção de açaí na aldeia Apiwtxa é farta . Essa "iguaria" amazônica é servida em todas as refeições e não há quem não lamba os beiçõs - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 24 de 55 Beneficiamento de sementes de cupuaçu na preparação de chocolate , no Centro Yorenka Tasorentsi , em Marechal Thaumaturgo - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 25 de 55 Sementes de cupuaçu são espalhadas em caixas de madeira para secagem em estufa, no Centro Yorenka Tasorentsi - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 26 de 55 Detalhe do preparo da tinta do fruto de jenipapo, usada pela indígena kayapó Nhãkraxti durante as rodas de conversa e cerimônias festivas - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 27 de 55 A indígena kayapó Nhãkraxti pinta Elaine Pyãko, mulher do líder ashaninka Francisco Pyãko, durante festa da caiçuma - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 28 de 55 Bianca Pyãko, filha da líder Dora Pyãko, carrega sua irmã durante reunião das lideranças ashaninkas e kayapós - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 29 de 55 Elaine Pyãko na base de uma samaúma gigantesca. Ela pertence ao yawanawá e se casou com Francisco Pyãko, com quem tem o filho Franscico - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 30 de 55 A adoldescente ashaninka, Bianca Pyãko. Ela é uma das integrantes da equipe de comunicação da Aldeia Piwtxa - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 31 de 55 Lideranças kayapós saem em fila para o encontro com seus pares ashaninkas para partir em expedição na mata densa da floresta amazõnica - Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 32 de 55 O cacique Takaknhoti Kayapó, exímio cantor do grupo e grande conhecedor das ervas medicinais da floresta — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 33 de 55 os Asheninka e Kaiapó O cacique kayapó Takaknhô, da aldeia Kawatum, tenta conexção pelo celular com o seu povo que ficou no sul do Pará — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 34 de 55 Família ashaninka prepara o café da manhã com mandioca e carne de veado — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 35 de 55 Uma anciã ashaninka varre a frente de sua casa ao amanhecer — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 36 de 55 As crianças ashaninkas aprendem desde cedo a pilotar embarcações e a construir pequenas casas para morar. O filho de Enison Pyãko brinca com os irmãos próximo à rede — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 37 de 55 Uma mulher ashaninka durante a lavagem de roupa próxima de um açude — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 38 de 55 Cerca de 1,3 mil ashanikas vivem na Aldeia Piwtxa, a maior do povo no Acre — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 39 de 55 As roupas dos ashaninkas impressionam pela qualidade. Feitas de algodão plantado, colhido e trabalhado pelas mulheres, antes de fiar a khusma, como é chamada, são tingidas com tinta natural de barro e ervas. Podem levar até 1 mês para ficar pronta. — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 40 de 55 Crianças ashaninka brincam em cima de árvores na Aldeia Piwtxa — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 41 de 55 As casas têm seus fogões de lenha em área externa e coberta por conta das chuvas — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 42 de 55 Verão amazônico tem chuva e sol algumas vezes ao dia, mas sempre amanhece com uma neblina que refresca a comunidade Apiwtxa — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 43 de 55 Famílias ashaninkas se preparam para receber seus parentes kayapó — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 44 de 55 Ashaninkas, kayapós e técnicos agroflorestais caminham em trilha da floresta em área de coletas de sementes de árvores de madeira de lei — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 45 de 55 Indígenas kayapós observam o líder espiritual e guerreiro ashaninka, Moisés Pyãko, que prepara seu arco e flecha em busca de caça na floresta — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 46 de 55 Jovens ashaninkas têm uma relação familiar com as árvores da floresta amazônica e aprendem desde cedo a identificar as espécies da floresta X de 55 Publicidade 47 de 55 Ashanikas e kayapós tentam se proteger da chuva durante caminhada na floresta — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 48 de 55 Tanto as crianças quanto os jovens da Aldeia Apwtxa aprendem desde cedo a arte da pintura, usualmente feitas apenas nos rostos e com a tinta de urucum — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 49 de 55 Os pequenos ashaninkas vivem em plena inteiração com seu meio e quase sempre estão rodeados por seus animais — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 50 de 55 Os ashaninkas conquistaram a demarcação de sua terra em 1992 e de lá pra cá conseguiram autossuficência e segurança alimentar de seu povo — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 51 de 55 Desde pequenos, a partir dos 10 anos, recebem instruções para cuidar da própria casa no futuro — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 52 de 55 As meninas ashaninkas ajudam as mães no preparo de alimentos, tecelagem e colheita, enqianto os meninos aprendem a pilotar barcos e construir casas — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 53 de 55 Apesar de responsabilidade que recebem logo na infância, brincam e se divertem e vão à escola todos os dias — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo 54 de 55 O líder espiritual Moisés Pyãko toca sua flauta feita com madeira da floresta após cerimônia da caiçuma — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo X de 55 Publicidade 55 de 55 Vista de avião monomotor da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia , na fronteira do Acre com o Peru — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo . — Enfrentamos pela primeira vez o narcotráfico unificado aos crimes ambientais em nosso território, mas a resposta do Estado não pode ser feita de missões pontuais; precisamos de presença permanente e cooperação internacional antes que a violência nos engula — afirma Piyãko — Não estamos diante de um conflito local. Estamos diante da expansão de redes criminosas transnacionais sobre territórios indígenas que hoje representam uma das últimas barreiras à ocupação ilegal dessa região da Amazônia. Gastamos nossa energia em Brasília cobrando segurança pública quando deveríamos estar cuidando da nossa terra; o crime organizado usa a força porque impedimos que o Rio Amônia seja rota livre para o tráfico— completa. A invasão reflete uma dinâmica que vem se consolidando ao longo dos últimos cinco anos com a convergência entre narcotráfico, exploração ilegal de madeira, mineração clandestina, grilagem de terras e lavagem de dinheiro. O epicentro da crise é o departamento peruano de Ucayali, onde a área destinada ao cultivo de folha de coca triplicou no último quinquênio, crescendo em ritmo duas vezes superior à média nacional do Peru. "Estradas-vírus" Esse modus operandi é impulsionado pela expansão das chamadas "estradas-vírus" — ramais e rodovias abertos clandestinos, sem licenciamento ambiental, sem estudos de viabilidade e sem consulta prévia às comunidades tradicionais, violando a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O caso mais emblemático é o da estrada UC-105, no trecho entre Nueva Italia e Puerto Breu (Peru). Mapeamentos técnicos do Projeto ABSAT, da Universidade de Richmond, revelam que o traçado da rodovia corta 241 cursos d'água que alimentam os afluentes do Rio Juruá e está cercado por pistas clandestinas de pouso, cultivos de coca e circulação constante de grupos armados. A infraestrutura rodoviária viabilizou a conexão direta de redes criminosas peruanas com o território brasileiro através de rotas fluviais, terrestres e aéreas. Um corredor vital para a biodiversidade O que está em jogo vai muito além da segurança de uma aldeia isolada. A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia — reconhecida internacionalmente por seu modelo exemplar de gestão territorial, reflorestamento e monitoramento comunitário conduzido pelos Ashaninka — integra um dos mosaicos de conservação mais importantes da América do Sul. Este corredor socioambiental abrange cerca de 3,5 milhões de hectares de floresta tropical contínua, abrigando 14 povos indígenas distribuídos em 35 Terras Indígenas demarcadas, além de três unidades de conservação de valor inestimável: a Reserva Extrativista Alto Juruá (a primeira RESEX criada no Brasil), o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade. A terra indígena foi demarcada em 1992. O crime ambiental é atualmente reconhecido como o terceiro mercado ilícito mais lucrativo do planeta, movimentando bilhões de dólares e operando em simbiose com os grandes cartéis de drogas. Para conter esse avanço, a Comissão Transfronteiriça Juruá/Yuruá/Alto Tamaya defende que Brasil e Peru abandonem abordagens puramente pontuais e construam um plano de ação binacional permanente, combinando inteligência financeira, patrulhamento transfronteiriço integrado e garantia inequívoca de direitos aos povos originários Analistas socioambientais e lideranças Ashaninka apontam que o cenário atual de extrema violência contra defensores ambientais — dramaticamente simbolizado pelos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips em 2022 — é resultado de uma combinação fatal de fatores como o desmonte das instituições de fiscalização; o enfraquecimento das estruturas federais de proteção socioambiental e de combate ao crime durante a gestão anterior, que deixou lacunas históricas na fiscalização das fronteiras. Efeitos da Pandemia de COVID-19 também são apontadas pelos ashaninka como o isolamento e a fragilização das comunidades durante o período pandêmico, aproveitados por grileiros e garimpeiros para avançar sobre áreas protegidas, além da pressão Infraestrutural desordenada e a insistência de governos estaduais e regionais de ambos os lados da fronteira na abertura de novos projetos viários e de integração sem o devido controle ambiental e de segurança pública. O grupo de lideranças Ashaninka cumpre agenda nesta semana no Ministério dos Povos Indígenas (MPI), na Presidência da República, no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no Ministério das Relações Exteriores (MRE), na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). — Construímos um modelo de sustentabilidade, proteção e autossuficiência que é referência mundial, mas o desmonte da fiscalização na fronteira transformou nossa rotina em uma rotina de tensão de guerra — conclui o líder Piyãko. Mais uma fronteira sucateada Em nota, a PF reconheceu os desafios operacionais em Tabatinga e afirmou que “a recomposição do efetivo está em curso, com a previsão de nomear novos delegados, escrivães e agentes a partir de meados de agosto de 2026, provenientes de cursos de formação”. A instituição informou que a delegacia foi contemplada, no Concurso de Remoção 2026, com vagas para agentes que já estão em atividade e que foram disponibilizadas vagas deste cargo para os alunos da última turma da Academia Nacional de Polícia (ANP). Para postos de delegado, escrivão, papiloscopista e perito criminal, a distribuição está em fase de validação. A fronteira abriga as cidades de Tabatinga (Brasil), Letícia (Colômbia) e Santa Rosa do Javari (Peru), conectadas pelo Rio Solimões, e se transformou em uma importante rota do tráfico, com forte atuação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Para o MPF, a delegacia em Tabatinga não é só mais uma unidade policial, mas um braço estatal avançado em um território de 8,5 milhões de hectares na Terra Indígena (TI) Vale do Javari. A reportagem procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Polícia Federal, a Funai, o Ibama e o ICMBio e aguarda posicionamento sobre as denúncias de avanço do crime organizado e a situação da segurança na fronteira entre Brasil e Peru.
Crime organizado invade território Ashaninka, no Acre, e lideranças vão a Brasília pedir 'socorro'
Avanço do narcotráfico, aumento de estradas ilegais e convergência com crimes ambientais na fronteira Brasil-Peru levam delegação indígena à capital para cobrar ações integradas de segurança e proteção territorial







