Uma das mesas mais emocionantes da Flip até aqui girou em torno das fronteiras entre linguagens —e como elas podem demarcar também fronteiras de vida, por exemplo, entre a infância e a idade adulta, entre o íntimo e o profissional.

O debate reuniu Eduardo Halfon, guatemalteco criado nos Estados Unidos, e Paloma Vidal, argentina criada no Brasil, em uma sintonia muito bem pensada pela curadoria e mediada à altura por Gabriela Mayer, jornalista que também apresenta o podcast Café da Manhã, na Folha.

Halfon ostentou durante a mesa um carisma hipnotizante, turbinado por uma emoção que parecia sincera de estar em Paraty. "Não sei como se diz isso em português", pontuava várias vezes durante sua fala que, ironicamente, foi em espanhol. Mas o tique denotava sua preocupação crônica em ser bem recebido por seus anfitriões.

O guatemalteco veio falar de seus dois livros na editora Autêntica, "O Boxeador Polonês" e "Tarântula", traduzidos por Silvia Massimini Felix. São relatos curtos, pungentes e de alta voltagem literária protagonizados pelo autor. Duas outras obras dele foram editadas antes pela Mundaréu, "Canción" e "Luto".

Vidal também é uma autora prolífica, que equilibra o português e espanhol em seus diversos livros, que compõem um projeto literário de longo prazo, construído como uma longa estrada através dos anos. Seu lançamento mais recente é "Do Lado de Lá", da editora Bazar do Tempo.