A Flip assumiu a função de, praticamente, apresentar sua homenageada ao grande público em sua primeira noite. Fez isso por dois caminhos: o artístico, assumido pela poeta carioca Marília Garcia, e o acadêmico, pelo professor Augusto Massi, da Universidade de São Paulo.

O próprio Massi afirmou que seu papel naquela noite, em uma aula expositiva típica do ambiente universitário, era "cotidiana e prática". Queria "fazer com que todo mundo atravessasse a ponte" em direção a Orides, queria "pegar um texto difícil e levar o leitor pela mão até o outro lado".

A poeta paulista morreu em 1998, aos 58 anos, após uma tuberculose, e sempre deixou claras as dificuldades que teve para publicar sua obra e se fazer mais conhecida nas mãos dos leitores, queixando-se da fama de difícil que a imprensa da época lhe atribuía.

A homenageada da Flip só foi receber maior atenção da crítica, segundo Massi, no terceiro de seus cinco livros, "Alba", que levou o Jabuti em 1983. O primeiro, que decantou sua obra dos anos 1960 em livro, saiu numa edição que era "praticamente uma apostila", apontou o crítico.

Era "Transposição", de 1969, seguido também por "Helianto", de 1973, "Rosácea", de 1986, e "Teia", de 1996. Todos são hoje publicados pela editora Hedra, que também lançou um volume de sua poesia completa em 2015.