Ministro israelense tenta minimizar impacto do entendimento, mas oposição vê risco de proliferação nuclear na região e critica acordo por não condicionar cooperação com Riad à normalização de relações com o Estado Judeu 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump (D), reúne-se com o príncipe herdeiro e primeiro-ministro do Reino da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman (E), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em 18 de novembro de 2025 — Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 15:06 Acordo Nuclear EUA-Arábia Saudita Ameaça Estabilidade no Oriente Médio, Alerta Israel O possível acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita gera preocupações em Israel sobre uma corrida armamentista no Oriente Médio. Críticos temem que o programa civil saudita possa evoluir para armas nucleares. O governo Trump negocia sem incluir Israel, o que levanta críticas sobre a diminuição da influência israelense em Washington. A oposição israelense critica o acordo, enquanto o governo tenta minimizar os riscos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O anúncio , na quarta-feira, de um acordo entre Estados Unidos e Arábia Saudita para desenvolver um programa nuclear civil despertou preocupações em Israel, onde críticos afirmam que a iniciativa pode desencadear uma corrida regional pela energia nuclear ou até abrir caminho para o desenvolvimento de armas atômicas. O acordo, revelado inicialmente na terça-feira e anunciado oficialmente na quarta, poderá permitir que a Arábia Saudita enriqueça seu próprio combustível para reatores nucleares. A notícia surpreendeu muitos em Israel, que nunca reconheceu oficialmente ter um programa de armas nucleares, e que tem um reator nuclear para pesquisa que é de conhecimento público. Embora Riad há muito tempo busque acesso à tecnologia nuclear americana, o governo do ex-presidente Joe Biden condicionava esse apoio, em parte, ao estabelecimento de relações diplomáticas formais entre a Arábia Saudita e Israel — um dos principais objetivos do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Agora, o presidente americano, Donald Trump, anuncia um acordo com os sauditas que parece contornar Israel completamente. Analistas afirmam que isso pode encorajar outros países da região, como a Turquia — que vem ampliando suas divergências com Israel —, a desenvolver seus próprios programas de enriquecimento nuclear. Figuras da oposição e ex-integrantes do governo israelense afirmaram que a iniciativa é mais um sinal de que a influência de Israel em Washington diminuiu. Trump tem deixado Netanyahu cada vez mais à margem das negociações com o Irã para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O presidente americano também limitou a resposta israelense a um grande ataque iraniano, preocupado com o impacto que uma escalada poderia ter sobre as negociações de paz. O gabinete de Netanyahu não comentou imediatamente o acordo nuclear entre Washington e Riad. Pelo menos um integrante do governo israelense tentou amenizar as preocupações públicas, argumentando que o país poderia conviver com um programa nuclear saudita voltado exclusivamente para fins civis. — Se eles quiserem isso para fins pacíficos, para atender às necessidades energéticas, podemos lidar com isso — diz Nir Barkat, ministro da Economia de Israel e o integrante mais graduado do governo a comentar o tema até o momento, em entrevista a uma rádio nesta quarta-feira. Barkat acrescentou que a normalização das relações com a Arábia Saudita “continua sobre a mesa” e que Netanyahu e Trump “não correrão riscos para o Estado de Israel”. Líderes da oposição israelense reagiram rapidamente e criticaram a perspectiva de um programa nuclear saudita apoiado pelos EUA. — Todo programa nuclear militar começa como um programa civil — afirmou Avigdor Liberman, político israelense que ocupou o cargo de ministro da Defesa entre 2016 e 2018. Segundo ele, Israel deveria pressionar o Congresso americano a se opor ao acordo, que, na sua visão, pode desencadear uma corrida armamentista regional em busca da bomba atômica. Outro líder oposicionista e ex-ministro da Defesa, Benny Gantz, classificou o acordo entre EUA e Arábia Saudita como “uma enorme oportunidade perdida” e responsabilizou o governo Netanyahu. "Repetidamente, este governo extremista desperdiça oportunidades de mudar o Oriente Médio", escreveu Gantz nas redes sociais. Muitos detalhes do acordo ainda permanecem indefinidos. Para Israel, boa parte das preocupações depende da existência de mecanismos de salvaguarda capazes de impedir que a Arábia Saudita utilize combustível nuclear para fins militares, diz Michael Herzog, ex-embaixador israelense em Washington. — O fato de o acordo não estar vinculado à normalização das relações e de ainda não estar claro quais mecanismos impedirão a Arábia Saudita de migrar para um programa militar são duas fontes de preocupação em Israel — explica Herzog. Segundo analistas, permitir que os sauditas produzam internamente seu próprio combustível nuclear representaria uma concessão significativa por parte dos EUA. Em um acordo nuclear firmado em 2009 com os Emirados Árabes Unidos, Washington impôs restrições rigorosas: Abu Dhabi aceitou inspeções internacionais e renunciou ao direito de enriquecer seu próprio urânio, limitando severamente qualquer caminho para o desenvolvimento de uma arma nuclear. No modelo de acordo negociado durante o governo Biden, os EUA ofereceriam à Arábia Saudita um tratado formal de defesa. Autoridades americanas também buscavam concessões israelenses aos palestinos — embora aquém da criação de um Estado independente — em troca da normalização das relações entre Israel e os sauditas. Essas perspectivas perderam força após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra subsequente na Faixa de Gaza. O ambiente político em Israel tornou-se mais resistente a qualquer concessão aos palestinos, enquanto a devastadora campanha militar israelense em Gaza provocou fortes críticas por parte da Arábia Saudita.
Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita alimenta temores em Israel de corrida armamentista no Oriente Médio
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