Cooperação entre países, anunciada na quarta-feira e que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso americano, tem como objetivo permitir que os sauditas desenvolvam um programa nuclear civil Bandeiras dos EUA e da Arábia Saudita tremulam ao longo de uma rodovia de Riade, como visto através do vidro de um carro, antes da chegada do presidente dos EUA, Donald Trump, a Riade, Arábia Saudita , em 12 de maio de 2025 — Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed/Foto de Arquivo Um acordo entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita que permite ao reino construir reatores nucleares com tecnologia americana e enriquecer urânio alimentou temores em Israel de que uma corrida armamentista possa começar no Oriente Médio. O acordo, anunciado na quarta-feira e que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso americano, tem como objetivo permitir que os sauditas desenvolvam um programa nuclear civil. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus ministros da Defesa e das Relações Exteriores ainda não se pronunciaram sobre o acordo, que, segundo críticos, compromete os interesses de segurança de Israel no longo prazo. "O acordo nuclear que está sendo costurado com a Arábia Saudita, passando por cima de Israel, é um grave fracasso estratégico que coloca nossa segurança em risco", afirmou o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que tenta derrotar Netanyahu nas eleições de 27 de outubro. "O enriquecimento nuclear em território saudita pode levar a uma corrida nuclear regional e a uma perigosa perda de controle." O ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman afirmou que "o programa nuclear civil na Arábia Saudita terminará em armas nucleares e levará a uma corrida armamentista desenfreada em todo o Oriente Médio". Israel, que, segundo se acredita amplamente, possui o único arsenal nuclear da região, deve se opor ao acordo e pressionar o Congresso americano para barrá-lo, afirmou Lieberman. Um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita vem sendo negociado há anos, tanto durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump quanto durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Até agora, porém, nenhum acordo havia sido concluído, em parte devido aos alertas de grupos especializados em não proliferação, que afirmam que ele poderia abrir um caminho para a Arábia Saudita desenvolver uma arma nuclear. Os israelenses também esperavam que um eventual acordo nuclear fizesse parte de um há muito buscado entendimento para a normalização das relações entre Israel e a Arábia Saudita, como previa o plano de Biden. "Não há nenhuma autoridade de segurança que diria que introduzir uma capacidade nuclear civil na Arábia Saudita sem integrar essa iniciativa à construção de uma aliança regional moderada seja um passo positivo para a segurança de Israel", afirmou Benny Gantz, ex-ministro da Defesa. Apesar das declarações, Trump afirmou nesta quinta-feira que o acordo nuclear com Riad está condicionado à adesão do reino aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel. "O acordo nuclear civil (não haverá enriquecimento de material!) [...] diz respeito apenas ao uso não militar, como os que Irã e Emirados Árabes Unidos (e outros) já possuem, e será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão", escreveu Trump em uma publicação na Truth Social, referindo-se à normalização das relações com Israel. "Os Estados Unidos não se opõem a instalações nucleares civis (sem enriquecimento)", afirmou Trump. Em 2020, durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, Emirados Árabes Unidos e Bahrein assinaram os Acordos de Abraão e se tornaram os primeiros países árabes em 25 anos a normalizar relações com Israel. Marrocos e Sudão aderiram aos acordos posteriormente.