Washington e Riad anunciaram na quarta-feira um acordo de cooperação nuclear civil que permitiria ao reino enriquecer urânio e construir reatores nucleares com tecnologia americana O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, na Casa Branca, em Washington — Foto: Nathan Howard/Politico/Bloomberg O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira que um acordo nuclear civil entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita está condicionado à adesão de Riad aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel. Os Estados Unidos e a Arábia Saudita anunciaram na quarta-feira um acordo de cooperação nuclear civil que permitiria ao reino enriquecer urânio e construir reatores nucleares com tecnologia americana, sem exigir as inspeções de surpresa da Organização das Nações Unidas (ONU) que Washington cobrou anteriormente do Irã. O acordo precisa ser aprovado pelo Congresso americano para entrar em vigor. "O acordo nuclear civil (não haverá enriquecimento de material!) [...] diz respeito apenas ao uso não militar, como os que Irã e Emirados Árabes Unidos (e outros) já possuem, e será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão", escreveu Trump em uma publicação na Truth Social, referindo-se à normalização das relações com Israel. "Os Estados Unidos não se opõem a instalações nucleares civis (sem enriquecimento)", afirmou Trump. Trump diz que acordo nuclear com a Arábia Saudita está condicionado à adesão do país aos Acordos de Abrãao — Foto: Reprodução/Truth Social A Embaixada da Arábia Saudita em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a publicação de Trump. A posição de longa data do reino é de que não assinará os Acordos de Abraão sem que haja um entendimento sobre um roteiro para a criação de um Estado palestino. Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinaram os Acordos de Abraão em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, rompendo um tabu de décadas e tornando-se os primeiros países árabes em 25 anos a reconhecer Israel. Marrocos e Sudão aderiram posteriormente. O governo Trump afirmou na quarta-feira que o acordo de cooperação nuclear civil está em conformidade com as exigências de não proliferação previstas na Lei de Energia Atômica dos Estados Unidos, consideradas entre as mais rigorosas do mundo. A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo, afirmou que o acordo contribui para os esforços de diversificação de suas fontes de energia e inclui os "mais elevados padrões internacionais" de segurança nuclear, proteção e não proliferação. O acordo permitiria à Arábia Saudita enriquecer urânio e reprocessar combustível nuclear usado, duas atividades que podem abrir caminhos para o desenvolvimento de uma arma nuclear. Os Emirados Árabes Unidos concordaram em abrir mão de ambos os processos quando assinaram um acordo semelhante com os EUA em 2009.