Cooperação, ainda não anunciada oficialmente, foi negociada em meio à guerra entre EUA e Irã, desencadeada com o objetivo declarado de impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear O presidente americano, Donald Trump, em reunião com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, no Salão Oval da Casa Branca — Foto: Evan Vucci/AP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou um acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita que poderá permitir ao reino desenvolver capacidade de enriquecimento de urânio para seu programa nuclear civil, informou a Associated Press (AP) nesta quarta-feira, citando duas fontes com conhecimento do assunto. A informação foi divulgada em primeira mão pelo Wall Street Journal. Segundo informações obtidas pela AP, o acordo, que ainda não foi anunciado oficialmente e pode ser divulgado nesta quarta-feira, deverá durar 30 anos, prevê a participação de empresas americanas no desenvolvimento do programa nuclear saudita e poderá abrir caminho para a construção de uma instalação de enriquecimento de urânio no país após um estudo conjunto entre Washington e Riad. O anúncio ocorre em meio à guerra travada entre EUA e Irã, iniciada após Washington e Israel lançarem ataques com o objetivo declarado de impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear. A República Islâmica, por sua vez, afirma que seu programa de enriquecimento tem fins exclusivamente pacíficos e descarta a intenção de construir armas nucleares, apesar do seu arsenal de urânio altamente enriquecido. A iniciativa deverá ser submetida ao Congresso americano e pode enfrentar resistência de parlamentares preocupados com o risco de desencadeamento de uma nova corrida de proliferação nuclear. Ainda de acordo com a agência, o acordo não deverá incluir o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mecanismo que amplia os poderes de inspeção e monitoramento da agência sobre instalações nucleares, apesar de a Arábia Saudita ser um Estado-membro da organização sediada em Viena. Tanto Trump quanto seu antecessor, o democrata Joe Biden, tentaram negociar um acordo nuclear com a Arábia Saudita para compartilhar tecnologia americana. No entanto, a possibilidade de Riad enriquecer seu próprio urânio sempre foi um dos principais obstáculos às negociações. O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman já afirmou anteriormente que buscará desenvolver um programa de armas nucleares caso o Irã desenvolva uma bomba atômica. As preocupações na região aumentaram ainda mais após Riad firmar com o Paquistão - que já possui armas nucleares - um pacto de defesa mútua. O movimento foi visto como um recado a Israel, que já lançou um ataque contra o Catar para atingir integrantes do Hamas. Em uma estratégia diferente, os Emirados Árabes Unidos assinaram o “acordo 123” com Washington para construir a usina nuclear de Barakah com apoio da Coreia do Sul sem o enriquecimento de urânio. O modelo é considerado por especialistas o “padrão-ouro” para programas nucleares civis com fins pacíficos.