Presidente dos EUA afirma que pacto para programa nuclear civil só será aprovado se o reino aderir aos Acordos de Abraão; sauditas reiteram que reconhecimento de Israel depende de um caminho claro para a criação de um Estado palestino 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald Trump e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na Casa Branca, em novembro de 2025; Trump condicionou acordo nuclear à normalização com Israel — Foto: Haiyun Jiang/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 10:36 Trump liga acordo nuclear EUA-Arábia à paz Israel-Palestina Donald Trump condicionou o acordo nuclear civil entre EUA e Arábia Saudita à normalização das relações sauditas com Israel através dos Acordos de Abraão. Embora o pacto proíba o enriquecimento de urânio, há preocupações sobre possíveis concessões que poderiam levar ao desenvolvimento de armas nucleares. A Arábia Saudita vincula a normalização com Israel ao avanço na criação de um Estado palestino, algo rejeitado por Israel. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Apenas um dia após os Estados Unidos anunciarem um amplo acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o pacto está condicionado à normalização das relações do reino com Israel por meio dos Acordos de Abraão. A nova exigência foi anunciada nesta quinta-feira, um dia depois de o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e seu homólogo saudita assinarem o acordo em Washington. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que o acordo “será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”. Ele ainda reiterou que o pacto não permitirá o enriquecimento de material nuclear e acrescentou que “os EUA não se opõem a instalações nucleares civis (sem enriquecimento)”. O acordo assinado na quarta-feira prevê a cooperação entre os dois países para o desenvolvimento de um programa nuclear de uso civil na Arábia Saudita. Segundo informações divulgadas anteriormente, o pacto terá duração prevista de 30 anos e deverá envolver empresas americanas no desenvolvimento do setor nuclear saudita. O texto ainda será submetido ao Congresso dos Estados Unidos, que poderá barrá-lo apenas com maioria suficiente para derrubar um eventual veto presidencial. Embora Trump tenha afirmado que o acordo não permitirá o enriquecimento de urânio, informações divulgadas por autoridades e pessoas familiarizadas com as negociações indicam que o pacto poderá abrir caminho para a construção de uma instalação de enriquecimento no reino, caso um estudo conjunto entre Estados Unidos e Arábia Saudita conclua que isso é necessário. O texto também não inclui o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mecanismo que amplia as possibilidades de monitoramento, inspeções e verificação das atividades nucleares. O anúncio provocou críticas de autoridades israelenses e levantou preocupações entre especialistas em não proliferação nuclear. Para eles, a flexibilização das condições impostas aos sauditas representa uma mudança em relação aos padrões adotados pelos Estados Unidos em acordos anteriores e pode abrir precedente para que outros países reivindiquem condições semelhantes. O acordo firmado com os Emirados Árabes Unidos em 2009, durante o governo Barack Obama, é frequentemente citado como o “padrão ouro” da cooperação nuclear civil americana por proibir o enriquecimento de combustível nuclear e prever inspeções rigorosas. No caso saudita, especialistas afirmam que as concessões podem alimentar temores de que Riad desenvolva, no futuro, capacidade para produzir material apto à fabricação de armas nucleares. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita, já declarou anteriormente que, caso o Irã obtenha uma bomba nuclear, o reino seguirá o mesmo caminho. Especialistas ressaltam que o enriquecimento de urânio, por si só, não leva automaticamente à produção de uma arma atômica, mas representa uma etapa que pode permitir a militarização de um programa nuclear. A nova condição anunciada por Trump também cria incertezas sobre a implementação do acordo. A Arábia Saudita afirma há anos que só normalizará suas relações com Israel após o estabelecimento de um caminho claro para a criação de um Estado palestino. O premier israelense, Benjamin Netanyahu, rejeita essa possibilidade. Ainda assim, o Gabinete do primeiro-ministro reagiu ao anúncio de Trump afirmando, em publicação, que a adesão de Riad aos Acordos de Abraão representaria "um salto histórico rumo à paz no Oriente Médio". Os Acordos de Abraão, lançados durante o primeiro mandato de Trump, estabeleceram relações diplomáticas entre Israel e países árabes como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos. O presidente americano tem intensificado a pressão para que a Arábia Saudita também integre a iniciativa, apesar de analistas considerarem remota, no cenário atual, a possibilidade de um avanço nas negociações sobre um Estado palestino. Para especialistas ouvidos pela imprensa americana, o acordo também reflete mudanças mais amplas no cenário internacional. Países aliados dos EUA têm discutido formas de ampliar suas capacidades nucleares diante do enfraquecimento da percepção sobre o compromisso americano com sua segurança, das tensões no Oriente Médio e das preocupações com a segurança energética após a guerra na Ucrânia e o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Em atualização.
Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita à normalização de relações com Israel
Presidente dos EUA afirma que pacto para programa nuclear civil só será aprovado se o reino aderir aos Acordos de Abraão; sauditas reiteram que reconhecimento de Israel depende de um caminho claro para a criação de um Estado palestino













