O título original de "Extinção", romance de estreia da ucraniana-canadense Maria Reva lançado pela DBA, é um neologismo da língua inglesa elaborado pela prestigiosa revista científica americana Nature: "Endling".

De difícil tradução condensada, o termo designa o último indivíduo de uma espécie —"end" significa fim, "ling" é o sufixo para o diminutivo associado a seres menores e desprotegidos. Dessa forma, "Extinção" é um substituto aceitável, ainda que não capte todo o foco de Reva.

O título parece se referir a um "endling", Canhotinho, presumivelmente o derradeiro exemplar de sua espécie de caracóis. Mas, à medida que a trama ganha ares de delírio a ser filmado por alguém com a verve do falecido David Lynch ou de Emir Kusturica, fica claro quem são os nanicos à deriva esperando o fim: todos os personagens e nós.

Reva conta uma história centrada em Ieva (Eva, em ucraniano), especialista nos gastrópodes em questão. Ela percorre a Ucrânia em uma van tentando catalogar e salvar espécimes ameaçados como Canhotinho, assim apelidado pela curvatura única de sua concha.

Dona de uma vida deprimente, Ieva pretende se matar. Até lá, banca sua pesquisa se fingindo de candidata a noiva na prolífica indústria de atração de solteirões ocidentais que grassava na Ucrânia até a invasão russa de 2022.