Com Lionel Messi, a Democracia Corinthiana teria sido impossível, porque o capitão da Argentina tem duas faces. Uma é a do jogador mais influente dos últimos tempos, o homem que leva adiante sua seleção como nenhum outro. A outra é a do homem que quase nunca se envolve em política, o que pode parecer uma virtude, mas, analisando com mais cuidado, também esconde alguma fraqueza.

Dezembro de 2022, no Qatar. Enquanto a Argentina caminhava para seu terceiro título mundial, o jogador iraniano Amir Nasr-Azadani permanecia detido pelas forças de segurança de seu país. A acusação? Apoiar os protestos contra a repressão do regime dos aiatolás, particularmente contra as restrições aos direitos das mulheres. A Copa do Mundo seguia seu curso e dizia-se que Nasr-Azadani seria condenado à morte.

Algumas palavras de Messi em apoio a seu colega, um gesto do jogador —talvez a pessoa mais famosa do mundo—, teriam significado muito. Até mesmo salvar o jogador iraniano? Não sabemos, mas, mais uma vez: teria significado muito. Como disse a artista argentina Marie Orensanz: "Pensar é um ato revolucionário". Falar, às vezes, também.

Nasr-Azadani foi finalmente condenado a 26 anos de prisão, mas seu caso reflete uma constante no jogador cuja maior conquista nos últimos anos foi deixar de ser visto sob a ótica de Diego Maradona: Messi não fala de política, apenas faz, de vez em quando, algum gesto.