Recorrer a clichês às vezes é uma boa maneira de retratar uma história, de dar sentido a um fato. Mas abusar deles pode ser contraproducente para o bom jornalismo. Algo nesse sentido aconteceu há oito anos.

Após a emocionante vitória por 4 a 3 com que a França eliminou a Argentina nas oitavas de final da Rússia 2018, um comentarista anglo-saxão disse que aquela era, sem dúvida, a última Copa do Mundo de Lionel Messi, sua despedida das Copas do Mundo.

Oito anos depois, aos 39 anos, Messi brilha na Copa do Mundo de 2026. A ideia de que a Rússia marcaria sua despedida baseava-se em duas razões, uma mais válida que a outra. A experiência terrível que Messi teve naquela Copa do Mundo sob o comando de Jorge Sampaoli levava a pensar que o 10, que quatro anos antes havia perdido a final no Brasil, nunca mais iria querer tentar a sorte em uma Copa do Mundo.

Essa ideia era bem mais válida que o clichê de que, depois dos 30, o jogador de futebol —e o atleta em geral— entra na fase de declínio, rumo à aposentadoria. Há muito tempo isso não é mais verdade, mas será ainda menos em 2026.

Messi tinha três anos quando sua família o sentou pela primeira vez para assistir a uma Copa do Mundo, a da Itália 90. Roger Milla estava em campo. Aos 38 anos e autor de quatro gols naquela Copa do Mundo, Milla foi fundamental para que Camarões derrotasse, na partida de abertura, a atual campeã mundial, a Argentina, e para que sua seleção chegasse às quartas de final, mais longe do que qualquer outra equipe africana jamais havia chegado.