É possível que Lionel Messi conquiste, daqui a três semanas, sua segunda Copa do Mundo. Por que não? Mas, independentemente de ele conseguir essa façanha, o argentino já é autor de outras duas: derrotou Diego Maradona e está conquistando os brasileiros.

Para os argentinos, é particularmente incompreensível que, em um país como o Brasil —o maior vencedor da história das Copas—, haja pessoas que gostam de futebol e torcem pela Argentina, como se tem visto nestas últimas semanas. Isso é quase impossível na terra do tango e do vinho, e é uma questão que vai além do sentimento pela seleção.

O Flamengo e o Fluminense dividem o estádio do Maracanã, e há alguns anos alguém pensou que o Estudiantes de La Plata e o Gimnasia y Esgrima de La Plata poderiam fazer o mesmo. Construiu-se o "Estádio Único", nos arredores da capital da província de Buenos Aires, um estádio moderno, que só esporadicamente recebe jogos do Estudiantes e do Gimnasia. Seus torcedores são apaixonados por seus próprios estádios; a ideia de compartilhar a casa, como fazem Flamengo e Fluminense, nem passa pela cabeça deles. Nem o que acontecia com o Corinthians ou em Belo Horizonte.

O mesmo se aplica à seleção argentina. Não se interessar por ela já é, por si só, malvisto, mas trocá-la por outra (sem falar se for o Brasil) é considerado diretamente traição à pátria.