Com os três gols contra a Argélia, Messi igualou Miroslav Klose como maior artilheiro da história da Copa do Mundo. Ele também é o principal assistente, junto a Maradona e Pelé. Os 16 gols e oito passes não dão a dimensão do que Messi é ou do que ele transmitiu aos amantes de futebol na primeira rodada.

Fazer 16 gols colocou Klose como o maior goleador dos Mundiais, mas não o tornou um jogador maior por conta disso — Mbappé, com 14, certamente passará dos 20 gols em Copas. Os números dizem algo, mas maquiam o essencial. Quando vimos Messi marcar uma e outra vez nesta terça-feira, assistimos a um dos últimos capítulos da trajetória do maior jogador que nós presenciamos.

O debate sobre o domínio absoluto do esporte ainda não parece aberto no Brasil, pelo tabu que é colocar Pelé em qualquer discussão. Mas essa pauta existe em todo o mundo, queiramos ou não.

Vamos tirar nosso 10 desta equação e colocar meu pai.

Itamar tem 62 anos, nasceu em 1964, em Ribeirão Preto (SP), e não viu Pelé jogar ao vivo. Para ele, o melhor sempre foi Zico, e agora é Messi. Meu pai representa um universo imenso de pessoas que vai de crianças nunca viram a adultos de aproximadamente 60 anos que só "viram" Pelé pelo rádio. Para essas pessoas, o melhor que eles puderam acompanhar está dançando seu último tango. Não é o melhor da geração, é o melhor que boa parte das pessoas vivas testemunharam.