Tomás Abraham, um dos intelectuais mais lúcidos da Argentina, é filósofo e autor de inúmeros livros, mas é irremediavelmente apaixonado por futebol. Sua vida gira em torno da bola, ele organiza suas atividades de acordo com os jogos da Liga dos Campeões e, nestas semanas, da Copa do Mundo. Nesta quarta-feira (15), ele assistirá ao jogo Argentina x Inglaterra com o coração na mão.
"Vou escrever um tratado de patafísica", diz ele brincando —ou talvez não tanto—, um homem que dedicou grande parte de sua vida à metafísica, à tentativa de compreender o homem, a vida... e o futebol.
"Existem dois mundos, como dizia Platão. Um mundo é o mundo dos fãs de futebol, o nosso, que estamos na Terra. E o outro é o mundo dos jogadores, que estão no céu. Nós estávamos lá embaixo, olhando para cima, e eles não desceram, continuam no céu."
É assim que Abraham, de 79 anos, explica o estado de ânimo dos argentinos após a conquista do terceiro título mundial, no Qatar. E é assim que ele explica o que é o esporte mais popular do mundo: "O futebol é como o amor. Quando alguém se apaixona, não procure uma lógica nisso, é uma loucura total. O futebol é isso: é um ato mágico, é um ato que se assemelha ao amor, ao amor louco".













