Enquanto a Europa acelera, atual campeã do mundo aposta no controle do ritmo de jogo com talento no meio-campo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Argentina conta com o talento dos seus jogadores no meio para liderar as estatísticas de passes certos e liberar Messi para atuar mais na frente no Mundial — Foto: JUAN MABROMATA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 21:10 Argentina Equilibra Ritmo e Intensidade no Estilo de Jogo da Copa A Argentina desafia o futebol moderno ao manter um estilo de jogo menos intenso, focando no controle do ritmo com talento no meio-campo, favorecendo Messi. A equipe lidera em passes certos e tem o segundo melhor ataque na Copa do Mundo, mas enfrenta o dilema entre ritmo e intensidade. A estratégia de Lionel Scaloni destaca talentos como Enzo Fernández e De Paul, enquanto a Suíça busca neutralizar Messi nas quartas de final. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “A Argentina não joga com tanta intensidade”, afirmou Carlo Ancelotti antes do início da Copa do Mundo. A declaração do treinador italiano está correta: a atual campeã tem a menor distância percorrida (76,1 km) e é a penúltima em número de sprints (63,2) por partida neste Mundial. Mas o técnico Lionel Scaloni prefere desafiar a lógica do futebol moderno para preservar a identidade argentina em campo. Com meias e praticamente sem pontas, esse estilo peculiar é a base do segundo melhor ataque (14 gols — oito de Messi) e da liderança em passes certos (611) da competição. É com esse retrospecto que Messi e companhia enfrentam a Suíça hoje, às 22h (de Brasília), em Kansas City, nos EUA, pelas quartas de final. Se as transições rápidas e a pressão na saída de bola são cada vez mais comuns na Europa, a Argentina tenta vencer essa batalha tática de uma forma diferente: ditando o ritmo do próprio jogo. Para que a estratégia de Scaloni funcione, a sincronia no meio-campo é praticamente inegociável. Não à toa, é justamente nesse setor que a equipe concentra uma fartura de talentos: Enzo Fernández, De Paul, Mac Allister, Paredes, Almada... — Me parece que o Scaloni olhou para essa geração antes de 2022 e pensou: “vou montar um time assim porque meus melhores jogadores estão no meio-campo”. São atletas de muita qualidade para um jogo de posse de bola, associação e controle das ações — afirma Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo. —Desde os anos 80, a Argentina costuma revelar jogadores com essas características, como Riquelme, Gago, Gallardo: um camisa 5 de bom passe, visão de jogo e posicionamento, ao lado de um camisa 10 cerebral e habilidoso. Quem mais se beneficia desse esquema é justamente Messi, que não precisa recuar para participar da armação das jogadas, o que poderia desgastá-lo fisicamente aos 39 anos. Pelo contrário: o camisa 10 atua da intermediária para a frente, onde usa sua genialidade para se posicionar da melhor forma, encontrar espaços e gerar desequilíbrio na defesa adversária. O atacante argentino número 10, Lionel Messi, e o zagueiro egípcio número 15, Karim Hafez, disputam a bola durante a partida — Foto: ODD ANDERSEN / AFP Apesar de colher frutos com um estilo de jogo mais cadenciado, a Argentina já convive com o dilema entre intensidade e ritmo. Os últimos jogos, contra Cabo Verde e Egito, evidenciaram que o sistema de Scaloni também tem lacunas a serem corrigidas. — Dependendo do adversário, é preciso ser mais intenso na defesa e no ataque, com circulação de bola mais rápida e mais movimentos de ruptura, algo que a Argentina não tem tanto quanto outras seleções, como a França. Para compensar, a equipe controla o ritmo da partida. Raramente acelera o jogo ou recorre à ligação direta. A ideia é sair jogando com passes curtos e avançar aos poucos até o campo de ataque — analisa Coutinho. 'Temos nossas estratégias' Se Messi é “Deus” nesta seleção, Enzo Fernández é uma espécie de curinga na formação em 4-4-2. O meia do Chelsea, da Inglaterra, pode atuar em praticamente todas as posições na faixa central do campo e se destaca pelas infiltrações na área, como no gol de cabeça que garantiu a virada por 3 a 2 sobre o Egito. Já De Paul faz o trabalho “sujo” no corredor direito, além do jogo associativo. Se pode faltar intensidade, a entrega na defesa se reflete nos números: é a segunda seleção com mais desarmes por jogo (20,8). O meio-campista argentino número 24, Enzo Fernández, comemora após marcar o terceiro gol — Foto: ODD ANDERSEN / AFP Consciente do tamanho da montanha que terá que escalar para seguir na Copa, o técnico da Suíça, Murat Yakin, aposta em seu meio-campo e na intensidade para impedir que a Argentina jogue em seu próprio ritmo. — Certamente existem soluções. Estamos tentando ajustar a equipe e atuar como um coletivo em campo. Precisamos pressionar os jogadores que fazem a bola circular e manter a intensidade contra. Podemos falar muito, mas, no fim, tudo se resolve dentro de campo. Temos nossas estratégias para neutralizar Messi — garantiu Yakin.
Argentina desafia intensidade do futebol moderno e preserva identidade que favorece Messi na Copa do Mundo
Enquanto a Europa acelera, atual campeã do mundo aposta no controle do ritmo de jogo com talento no meio-campo






